Estive nesta semana pela primeira vez em Curitiba. Foi uma passagem rápida, menos de 24 horas. Ainda assim, tempo suficiente para comprovar todos os elogios que fazem à capital paranaense. A cidade é linda, limpa, organizada, convidativa.
Tenho certeza de que qualquer visitante faz, de pronto, uma comparação com a cidade onde vive. Fiz o mesmo mas, por mais que goste de Franca e de sua qualidade de vida, compará-la com a capital do Paraná é como tentar submeter aos mesmos critérios de avaliação jogadores de basquete do Dream Team americano e do quinteto brasileiro. Não dá, por mais que a gente torça pelo nosso país.
Melhor que comparar é usar Curitiba como fonte de inspiração. Já imaginou se nossos parques, como o “Fernando Costa”, não fossem cercados por muros horrendos, mas sim tivessem grades de ferro verde que se confundissem com o paisagismo e formassem um surpreendente oásis no meio da cidade. Se o Parque do Trabalhador tivesse, no lugar do feio concreto, lindos jardins que nos lembrassem Paris e que, por si só, valessem dias e dias de passeio, tudo de graça. E se os dois fossem apenas alguns dos mais de dez espalhados pela cidade, onde pisar na grama, além de não ser proibido, fosse incentivado, como convém a qualquer parque.
Imagine também se nossos bares tivessem mesas e cadeiras nas calçadas - sim, porque tomar um chope ao ar livre é uma delícia - mas tudo fosse delimitado, sem atrapalhar o pedestre. E se no lugar das pavorosas cadeiras de plástico de múltiplas cores que infestam os bares de Franca tivéssemos charmosas cadeiras de madeira, como em Buenos Aires.
Por um instante, pense se no lugar do embolorado teatro municipal tivéssemos uma estrutura de metal e vidro impactante para mais de 1600 pessoas, que fosse um espetáculo por si só, e que ainda tivesse acústica boa o bastante para receber grandes concertos e shows, além de espaços adequados para deficientes monitores.
Pense ainda num lugar onde os pontos de ônibus, além de eficientes, porque protegem da chuva e são estrategicamente posicionados no meio das avenidas, fossem bonitos, modernos, também com fácil acesso para deficientes.
Curitiba é assim. Tem parques lindos, como o Jardim Botânico e sua estufa de Cristal, onde uma vista linda da cidade se descortina para quem a observa a partir de sua bela área verde; tem a Ópera de Arame, com sua estrutura envidraçada de tirar o fôlego; tem bares e restaurantes charmosos com suas mesas nos passeios que não incomodam ninguém; tem pontos de ônibus que parecem saídos de filmes de ficção científica.
Tudo isso não é passe de mágica. Séculos de trabalho planejado explicam muito do que se vê hoje. Em 1783 a Câmara de Vereadores de Curitiba já instituía o primeiro esboço de um plano diretor; cem anos depois, inaugurava seu primeiro parque e, nos anos 40, o arquiteto francês Alfredo Agache redefinia o traçado urbano, abrindo amplas e importantes avenidas.
Mas é inegável que muito desta cidade linda e moderna é fruto do trabalho do arquiteto Jaime Lerner. Três vezes prefeito, duas governador, saiu da cabeça e da prancheta de Lerner grande parte das inovações que fizeram de Curitiba referência mundial em planejamento urbano. Para sorte de qualquer prefeito eleito, Lerner está fora da política. Criou um instituto que leva seu nome, entidade sem fins lucrativos cuja missão é “despertar uma consciência positiva sobre o potencial das cidades (...) instrumentando as prefeituras para administrações inovadoras”.
Nenhum dos cinco homens que disputam o comando de Franca pediu minha opinião, mas desde já antecipo minha contribuição ao futuro eleito. Um endereço: Rua Bom Jesus, 76, Curitiba, Paraná. É onde funciona o Instituto Jaime Lerner.
É ali que, com humildade, o escolhido para comandar Franca pelos próximos quatro anos pode colher informações e experiências fundamentais com quem soube construir uma cidade melhor e mais humana para seus moradores. Basta querer.
CORRÊA NEVES JÚNIOR
é diretor-responsável do Comércio da Franca
jrneves@comerciodafranca.com.br
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