Omaha é aqui


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Qualquer trabalhador que consiga economizar um pouco no fim do mês tem logo uma preocupação imediata. Pouco importa quanto, a dúvida é uma só: qual a melhor opção para aplicar e fazer render um pouco o dinheiro tão duramente poupado? São muitas as respostas possíveis. Os que gostam de risco vão defender investimentos em ações na bolsa de valores. Os mais conservadores vão preferir, certamente, alternativas como fundos de renda fixa ou CDBs. Os que tem aversão ao risco guardam seu dinheiro na poupança ou se protegem comprando ouro. Os que se consideram visionários irão atrás dos conselhos de Warren Buffet. O simpático senhor americano é hoje um dos três homens mais ricos do mundo, dono de um patrimônio estimado em R$ 100 bilhões. Buffet é dono da Berkshire Hathaway, um fundo de investimentos americano. Todos os anos, investidores se espremem num ginásio em Omaha, uma cidade pouco maior do que Franca, em Nebraska, no meio-oeste americano, para ouvir os conselhos e recomendações de Buffet. Quem os segue costuma se dar bem: os fundos da Berkshire Hathaway rendem 30% ao ano, em média, há tempos. Na comparação com investimentos tradicionais, percebe-se a visão do gênio. A inflação brasileira acumulada em 2007 foi de 7,75%. No mesmo período, quem aplicou em poupança recebeu 7,77%, míseros 0,02% acima da inflação. Não pagou nem o que o banco cobra pelo extrato. Aplicações em ouro renderam 11,26%; fundos de renda fixa pagaram 12,3%. Melhor que Buffet em 2007 só a Bovespa, que registrou valorização de 43,65%. O problema é que quem manteve o dinheiro lá em 2008 já perdeu, até agosto, boa parte do que ganhou no ano anterior. Com Buffet, não: os ganhos são sustentáveis no longo prazo. Apesar de investidor medíocre, sempre fui um admirador de Warren Buffet. Isso até quinta-feira da semana passada, quando uma reportagem de Marcelo Scallioni, aqui do Comércio, abriu meus olhos. A matéria, capa do caderno Eleições, mostra a evolução patrimonial de nossos vereadores. Dos 15, sete chegam ao fim do mandato com mais patrimônio do que quando entraram. Mas é um quinteto que realmente surpreende. O time, composto por Donizete da Farmácia (PMN), Ruy Engrácia (PSDB), Graciela Ambrósio (PP), Jépy Pereira (PSDB) e Gilson Pelizaro (PT), viu seu patrimônio crescer, no período, a taxas que variam de 58% a inacreditáveis 319%. É o milagre da multiplicação dos bens acontecido aqui mesmo, na Franca do Imperador. Donizete da Farmácia e Ruy Engrácia são, de longe, os mais iluminados. Ambos multiplicaram por quatro o que tinham. Donizete, que em 2004 computava bens que somavam R$ 65.517, tem agora um patrimônio de R$ 274.900, uma disparada de 319%. O comerciante, quando eleito, tinha uma casa, um pedaço de um terreno, uma chácara e uma caminhonete. Hoje tem outros carros, um imóvel comercial e cotas de uma firma. Engrácia vem logo atrás. Tinha ações de várias companhias e um imóvel em 2004. Deixou as ações de lado, optou por imóveis e carros e agora tem muito mais: seus bens declarados à Justiça Eleitoral subiram de R$ 106.161 para R$ 427.000, um salto de 302%. Jépy Pereira, o “vereador do bairro”, como se autoproclama, parece se inspirar em sua atuação parlamentar para direcionar seus investimentos. Em 2004, Jépy ignorava imóveis. Tinha dois carros, uma boa aplicação financeira, um volume razoável em caixa disponível e só um terreno. Na Câmara, defendeu a regularização de loteamentos por toda a cidade, como orgulhosamente registra no seu material de campanha. A ação parlamentar deve ter aguçado seu faro. Agora, declarou à Justiça Eleitoral possuir, além do mesmo imóvel de 2004, outros 8 terrenos. Os dois carros viraram cinco. E o patrimônio saltou de R$ 188.682 para R$ 326.085, um crescimento de 72%. Sonhava um dia ir a Omaha ouvir de perto os conselhos de Warren Buffet. Mudei de idéia. A partir de agora, vou reservar as tardes de terça-feira para acompanhar meus gurus na Câmara de Franca. Perto deles, Buffet é aprendiz. CORRÊA NEVES JÚNIOR é diretor-responsável do Comércio da Franca jrneves@comerciodafranca.com.br

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