Uma das profissões mais antigas do mundo e que tradicionalmente é cercada por preconceitos ganhou status e tem atraído cada vez mais pessoas - inclusive, em Franca. Ser vendedor deixou de ser um trampolim para ocupação de outros cargos e passou a exigir capacitação e empenho, especialmente quando se trata de produtos com alto valor agregado. Resultado: os ganhos salariais “engordaram”. Nos setores imobiliários e automotivos, a profissão deixou de ser encarada como “um bico”. Não é para menos. Vender esses produtos pode render salários de R$ 2 mil a R$ 8 mil mensais em Franca. Mas não são apenas eles. Em departamentos de móveis e eletrodomésticos, por exemplo, um vendedor experiente pode ganhar até R$ 2,5 mil.
A vocação para o negócio ajuda, mas, na opinião do vendedor-avaliador de veículos, Franklin Antônio Pereira, é preciso ainda mais. “O fundamental é oferecer um bom atendimento e conhecer bem o produto. Vende mais quem atende melhor. Você está vendendo um carro de R$ 30 mil e precisa explicar tudo que ele oferece”, disse.
Concessionárias “oficiais” das grandes montadoras empregam hoje, em Franca, cerca de 70 profissionais, mas, basta observar nas principais avenidas da cidade, que, nas inúmeras garagens de usados, o atendimento deixou de ser feito apenas pelo proprietário. Eles, os donos, passaram a empregar e pagar comissões para seus vendedores. Karlos Oliveira, da Karlos Automóveis, tem dois funcionários. Paga 0,5% de comissão sobre o valor do carro que cada um vende e, ainda, cede espaço para que eles comercializem os veículos de seus clientes.
Nas concessionárias, além de um salário-mínimo garantido - em torno de R$ 700 mensais - o profissional recebe comissões. Algumas repassam 0,5% sobre valor bruto veículo e outras 10% sobre o lucro. Os ganhos salariais não saem por menos de R$ 2 mil e chegam a R$ 8 mil.
Já no ramo da corretagem não é difícil entender por que os experientes têm disputado espaço com profissionais de formação sólida como advogados, administradores de empresas e professores. Dados do Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) confirmam o aumento do número de profissionais, dado o “boom” imobiliário que movimentará quase R$ 1 bilhão na cidade em 2008. Em cinco anos, 123 novos corretores entraram no mercado. Hoje, só na região de Franca, são 675 cadastrados no Creci. No Estado são 78,5 mil.
Para ingressar no ramo de transações de imóveis, o interessado precisa cursar o TTI (Técnico em Transações Imobiliárias). O curso custa, em média, R$ 1,5 mil, dura de 6 a 8 meses e é oferecido apenas para quem concluiu o ensino médio. Só após o curso é que a pessoa estará apta a vender. “O exercício ilegal da profissão é contravenção penal”, lembra o delegado-regional do Creci, Walber Almada.
Pagar pelo curso vale a pena. Sobre o valor total de uma casa, por exemplo, um corretor cadastrado pelo Creci recebe de 6% a 8% de comissão. Com isso, os mais talentosos no ramo imobiliário podem ter ganhos de até R$ 8 mil mensais. “Geralmente a pessoa faz sua própria renda. Se ela se empenhar, dá para fazer um salário muito bom”, disse Zereti Elionai Telles, gerente de vendas de empreendimentos da MRV Imóveis.
PLANO DE CARREIRA
Vender móveis e eletrodomésticos também é um bom negócio. Em empresas como o Magazine Luzia, por exemplo, que oferece plano de carreira, o vendedor pode sonhar em um dia ocupar o posto de vendedor-especial e até de gerente. Basta atuar em setores em que os produtos têm alto valor agregado e se empenhar. Mathias Taveira, gerente da loja Matriz do Magazine Luiza, explica que os vendedores têm seu salário fixo, mas aqueles que querem ganhar bem, conseguem. “Há setores em que a pessoa não ganha menos que R$ 2 mil. São os vendedores especiais”.
Para conseguir a promoção, a empresa oferece cursos e treinamentos. Quem quer ganhar mais, precisa participar.
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