Depois dos insetos, é a vez dos sapos invadirem Franca


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Os francanos têm convivido recentemente com animais nada simpáticos. Verdes ou amarelos, pequenos ou grandes e sempre gosmentos, os sapos podem ser encontrados por toda a parte. Ainda mais nas redondezas de um córrego, local preferido para a reprodução dos bichos. Os mais encontrados são os do tipo Bufo schneidere, o popular sapo-boi. Gordinhos e maiores, eles possuem um “papo” grande e têm glândulas na pele com um tipo de veneno. Se em contato com os olhos ou boca, causa irritação ao homem, embora não seja perigoso. Mas a “invasão” não se restringe a eles. Até agora, foram catalogados, em Franca, 18 espécies diferentes de sapos. O trabalho foi feito por pesquisadores da Unifran e teve como alvo apenas os entornos da represa do Castelinho. Estimativas dão conta de que, no resto da cidade, pode haver ainda mais espécies. “É necessário realizar uma pesquisa que abranja toda a cidade”, disse o estudante de biologia da Unifran e pesquisador sobre a reprodução de sapos José Gabriel Molina, 22. A invasão dos sapos pode ser explicada graças à cadeia alimentar. Com o clima quente e úmido, há proliferação de insetos - alimento preferido dos anfíbios - que também aproveitam para se alimentar e reproduzir. “Os insetos são atraídos pela luz artificial e os sapos vão em busca de alimentação, por isso a invasão de insetos e sapos”, disse a bióloga do Jardim Zoobotânico, Lígia Ferracini. Quem não gosta da idéia são os moradores, obrigados a conviver com a incômoda presença. “Sei que os sapos não fazem mal para a saúde, mas não gosto de tê-los por perto. Só nesta semana, tirei uns quatro do quintal”, disse o oficial de Justiça Roberto Silveira, morador no Jardim Samel Woods. Para ele, o principal problema são as fazes dos bichinhos. “O cheiro é bem forte”. O constrangimento também é vivido pela vendedora Isabela de Castro, 48, vizinha de Silveira. “Quando chego em casa à noite, depois do trabalho, encontro uns seis”. Já segundo Fernando Baldochi, chefe da Vigilância Epidemiológica, nenhuma queixa foi registrada até o momento dando conta de problemas causados pelos sapos. “Não há com que se preocupar, já que eles são incapazes de transmitir doenças”. BOM AMIGO Embora sejam pouco simpáticos e causem certa repulsa à população, os sapos têm uma importante função biológica. A presença deles nos quintais, por exemplo, garante a exterminação de baratas e pernilongos, entre eles o mosquito da dengue. “Os sapos são grandes agentes de limpeza. Embora a população não goste deles, acabam prestando serviços úteis”, diz o estudante de Biologia e pesquisador Leandro da Silva. Ainda assim, para quem não pode nem ver os anfíbios pela frente, livrar-se dos animais é simples. A mais recomendada é a retirada dos bichinhos da casa em questão com com luvas ou saco plástico encobrindo as mãos e a posterior devolução dos mesmos ao seu hábitat. “É importante que as pessoas não joguem sal nos anfíbios porque eles respiram por poros encontrados na pele e o sal prejudicará a respiração do animal, além de causar dor”, explicou José Gabriel. Para remover as fezes, é necessário que as pessoas lavem bem o local com água e sabão em abundância.

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