Casa centenária é cercada e irrita lojistas


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O comerciante João Batista mostra a parte de trás da casa que há dois anos espera por uma decisão sobre seu futuro
O comerciante João Batista mostra a parte de trás da casa que há dois anos espera por uma decisão sobre seu futuro
Um casarão centenário está tirando o sossego de lojistas da Praça Central Barão do Cambuí, em Cássia (MG). Os comerciantes reclamam da queda nas vendas desde que a Prefeitura decidiu cercar o imóvel com tapumes, impedindo o trânsito em parte da Praça Barão de Cambuí e da Rua Astolfo de Oliveira Filho. Os tapumes foram colocados há dois meses por determinação do Ministério Público. A medida foi tomada por segurança, já que o imóvel está condenado e caindo aos pedaços. Com o trânsito impedido, os carros que saem do bairro em sentido ao Centro têm que desviar por outra rua para chegar até a praça. O comerciante João Batista de Souza, 73, é um dos mais irritados. A loja dele fica ao lado do casarão e, com a passagem obstruída, seus negócios caíram. “Esse tapume atrapalha o acesso da freguesia. As minhas vendas já diminuíram 10%. Além disso, como essa casa não é demolida, estou com medo de ela pegar fogo e atingir minha loja”. Para chegar à loja do comerciante Ronaldo de França Paiva, 37, só mesmo andando. “Fiz um investimento muito alto ao montar a loja. Hoje os clientes não passam por aqui por causa do trânsito impedido. Pelos meus cálculos, as minhas vendas caíram 30% nos últimos dois meses”. O trânsito na rua onde está a lanchonete de Zélia Fátima Nascimento já não é mais o mesmo. “Quase ninguém passa em frente à lanchonete”. A irritação dos lojistas é recente. A briga em relação ao casarão não. O caso se arrasta na Justiça desde de março de 2005. O problema teve início quando a família dona do imóvel começou a demolir a casa para construir um prédio comercial de dois andares. Na época, um professor de Belo Horizonte, que nasceu em Cássia, entrou com um pedido no Ministério Público para paralisar a demolição. Para convencer o promotor, o professor alegou que a casa faz parte da história da cidade. Na época, a família já tinha retirado o telhado e começado a demolir a parte de trás do imóvel. A Justiça determinou que o trabalho fosse suspenso e que o telhado fosse reconstruído. “Eles colocaram apenas uma lona que, na primeira chuva, caiu. Desde então, a casa vem se deteriorando com o tempo, o que afetou as estruturas”, disse o promotor Delvecchio Limas dos Santos, autor da ação. Hoje há poucas chances de recuperação e o assunto continua sendo avaliado pela Justiça.

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