Químico trabalha no projeto há 5 anos


| Tempo de leitura: 2 min
A idéia de fazer calçados, bolsas, cintos e chapéus, transformando a pele da tilápia em couro, surgiu há dez anos, quando o químico Edson Nunes ainda era estudante da Unifran (Universidade de Franca). Depois que se formou, em 1997, continuou a pesquisar sobre essa forma de reaproveitamento. Até que, no final do ano passado, deu início à produção, junto com a mulher, Cláudia Nunes, e a também química Adriana Araújo. Além da inovação em termos de estilos na produção calçadista, destaca um outro fator que o motivou a optar por essa atividade: a reciclagem. Comércio da Franca - Como surgiu o interesse pela tilápia? Edson Nunes- Foi em uma aula da disciplina Curtimento. O professor havia demonstrado várias formas de reaproveitamento de couros exóticos - cobra, jacaré, bovinos, etc. Ao observar o da tilápia, cheguei à conclusão de que era nesse ramo que gostaria de trabalhar. Comércio - Dentre tantas formas de produzir couros exóticos, por que optou pela tilápia? Edson - A tilápia é couro alternativo e, ao mesmo tempo, difícil de se produzir. A pele é muito fina e não há maquinário apropriado. É diferente de outros couros exóticos, como o bovino e o de jacaré, mais fáceis de serem reaproveitados. Além disso, à medida que aumenta a produção de carne desse pescado, aumenta também o desperdício daquilo que poderia ser reaproveitado. No caso, a pele dos peixes. Resolvi, assim, produzir uma moda de artigos que, ao mesmo tempo, respeitasse o meio ambiente. Comércio - Foi difícil aprender todas as técnicas para reaproveitar a pele? Edson - Foi, porque não encontrei em Franca nenhum curso que oferecesse especialização nesse ramo. Nem no Instituto de Pesquisas Tecnológicas, no Distrito Industrial. Aí aproveitei a vinda a Franca da Maribel Benite, de Balneário do Camburiú, em Santa Catarina, que, ao longo de sua carreira, desenvolveu vários estudos sobre o reaproveitamento de pele de diversos peixes. Comércio - Por que só depois de dez anos é que o projeto teve início? Edson - Faz quase cinco anos que trabalho no projeto. Antes, eu tinha toda a idéia, mas faltava dinheiro. Aí comecei a trabalhar em uma empresa que fabrica couros, e, financeiramente estabilizado, dei início, então, a esse trabalho. Depois, fizemos parcerias com curtumes, fábricas de calçados e pespontos. No final do ano passado, começamos a produzir. Comércio - Qual a durabilidade do couro de tilápia? Edson - Não há um prazo de validade. A qualidade do couro da tilápia será mantida conforme sua forma de conservação. O que nós indicamos sempre é que o consumidor faça polimento com cera ou produtos naturais, como óleo apropriado para couro, facilmente encontrados em lojas de calçados.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários