O Habib’s, tradicional rede brasileira de fast-food, construiu ao longo de décadas uma trajetória marcada pela expansão, pelos preços baixos e pela popularização da culinária árabe no país. Criada a partir de uma pequena padaria, a empresa transformou a esfiha em um de seus principais símbolos e chegou a espalhar unidades por diversas regiões do Brasil.
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Atualmente, a rede passa por um momento de reestruturação financeira. O Grupo Gennius, controlador do Habib’s, entrou com pedido de recuperação judicial, com uma dívida estimada em aproximadamente R$ 265,2 milhões. Apesar da situação financeira, as lojas seguem funcionando normalmente.
História começou em uma padaria
A história do Habib’s começou em 1973, quando Alberto Saraiva, então com 19 anos e estudante de Medicina, assumiu a padaria da família.
Anos mais tarde, após adquirir uma lanchonete, Saraiva conheceu o chef Paulo Abud, especialista em culinária árabe. A parceria foi importante para a inclusão de pratos como esfihas, quibes e homus no cardápio.
A combinação dos produtos da culinária árabe com uma proposta de preços acessíveis ajudou a criar o conceito que posteriormente seria levado para a rede Habib’s.
Em 1988, foi inaugurada a primeira unidade da marca, na Rua Cerro Corá, no bairro Alto da Lapa, em São Paulo. O restaurante oferecia pratos da culinária árabe, além de pizzas e pastéis.
A expansão ganhou força a partir de 1992, quando a empresa adotou o sistema de franquias. A partir daí, o Habib’s passou a ampliar sua presença para diferentes cidades brasileiras.
Esfiha virou símbolo da marca
Um dos principais elementos responsáveis pela popularização do Habib’s foi a estratégia de preços baixos. A rede apostou em produtos acessíveis para alcançar um grande número de consumidores.
As esfihas se tornaram o principal símbolo dessa estratégia. A empresa chegou a oferecer o produto por R$ 0,50 em determinadas promoções, ajudando a associar a marca à ideia de comida rápida e barata.
Além dos preços competitivos, o grupo desenvolveu um modelo verticalizado de operação, assumindo o controle de diferentes etapas da produção e distribuição. A estratégia ajudou a reduzir custos e sustentar a expansão da rede.
Com o passar dos anos, o Habib’s também ampliou seu portfólio e passou a operar outras marcas, entre elas o Ragazzo e o Tendall.
Mudanças no mercado afetaram a empresa
Depois de décadas de crescimento, o grupo passou a enfrentar dificuldades financeiras diante das transformações no setor de alimentação.
A pandemia de Covid-19 provocou impactos significativos no movimento dos restaurantes e afetou empresas que dependiam da circulação de consumidores nas lojas físicas.
Ao mesmo tempo, o avanço dos aplicativos de entrega modificou os hábitos dos clientes e aumentou a concorrência no segmento. A mudança exigiu investimentos em novos modelos de atendimento e pressionou as margens de lucro das empresas do setor.
A alta dos juros também contribuiu para aumentar o custo financeiro e dificultar a reorganização de dívidas acumuladas ao longo dos últimos anos.
Grupo entra em recuperação judicial
Diante das dificuldades, o Grupo Gennius entrou com pedido de recuperação judicial. O processo tem como objetivo permitir a reorganização das dívidas e a negociação com os credores, enquanto as empresas continuam suas atividades.
A recuperação judicial não significa o fechamento imediato das lojas. O mecanismo permite que a companhia mantenha suas operações enquanto busca uma solução para os débitos e apresenta um plano de recuperação aos credores.
O grupo possui dívidas com diferentes categorias de credores, incluindo instituições financeiras, fornecedores e empresas ligadas ao agronegócio.
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, aproximadamente R$ 70 milhões em dívidas estão relacionados a fornecedores do agronegócio, incluindo empresas responsáveis pelo fornecimento de carnes, óleo de soja, verduras, legumes e outros produtos utilizados pela rede.
Operações continuam normalmente
Apesar do pedido de recuperação judicial, as unidades do Habib’s continuam funcionando normalmente.
Em Piracicaba, a unidade da rede confirmou que não houve alteração no atendimento aos clientes. Segundo a equipe do restaurante, o estabelecimento permanece aberto sete dias por semana, das 11h à meia-noite.
A situação significa que, neste momento, a recuperação judicial não representa o fechamento da unidade ou a interrupção das atividades do Habib’s na cidade.
Futuro depende da reestruturação
O processo de recuperação judicial representa uma tentativa de reorganizar as finanças do Grupo Gennius e garantir a continuidade das operações das marcas.
O futuro da empresa dependerá da capacidade de reorganizar as dívidas, controlar custos, recuperar o fluxo de caixa e apresentar um plano que seja aprovado pelos credores.
Enquanto enfrenta esse processo, o Habib’s mantém uma história construída ao longo de décadas, desde a pequena padaria assumida por Alberto Saraiva até a criação de uma das marcas mais conhecidas de esfihas do país.