PUNIÇÃO MAIS BRANDA

Em meio a polêmicas, Fransérgio deve ser advertido pela Câmara

Por Pedro Baccelli | Editor do Portal do GCN/Sampi
| Tempo de leitura: 5 min
Divulgação/Câmara Municipal de Franca
Presidente da Câmara Municipal de Franca, Fransérgio Garcia, durante a sessão
Presidente da Câmara Municipal de Franca, Fransérgio Garcia, durante a sessão

O presidente da Câmara Municipal de Franca, Fransérgio Garcia (PL), deve receber uma advertência durante a sessão ordinária desta terça-feira, 7. Acusado de dirigir um carro oficial do Legislativo com a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) suspensa e em velocidade acima do permitido durante viagem à capital paulista, o vereador deve receber a punição mais branda prevista no Código de Ética da Casa, que é a advertência por escrito, segundo apurado pelo portal GCN/Sampi, nesta segunda-feira, 7.

De acordo com a apuração da reportagem nos bastidores da Câmara, a decisão do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar - órgão que investiga o caso - de advertir Fransérgio Garcia contraria o posicionamento do Departamento Jurídico, que sugeriu o arquivamento do processo. O Conselho teria entendido que as denúncias contra o presidente afetam o prestígio e a integridade do Legislativo, além de indicarem uso irregular de bem público.

Nos bastidores, a avaliação é de que, apesar de se tratar de uma “falta grave”, Fransérgio não possui antecedentes e não houve prejuízo aos cofres públicos. Por isso, a tendência é pela aplicação de uma advertência de caráter apenas disciplinar.

O processo considerou exclusivamente o fato de Fransérgio ter dirigido o carro oficial da Câmara com a CNH suspensa - infração que o próprio vereador confirmou. Em sua justificativa à Comissão, à qual o GCN teve acesso com exclusividade, ele afirma que assumiu o volante após o assessor Luís Marcelo Ramalho passar mal, com “variações glicêmicas”.

Embora seja comprovado que “Marcelinho”, como é conhecido, seja diabético, não foram apresentadas provas de que ele realmente tenha passado mal, como registros de atendimento em alguma unidade de saúde durante a viagem.

Não foi considerada a acusação de excesso de velocidade, já que não há registro em documentos oficiais, como autuações por radar. Ainda assim, documentos da concessionária responsável pela locação dos veículos à Câmara Municipal indicam que o carro atingiu até 161 km/h na rodovia Bandeirantes, nas proximidades de Campinas, o que corresponde a 33,3% acima do permitido na via, que é de 120 km/h.

O relatório deve ser finalizado ainda nesta segunda-feira, 6. Para que a advertência por escrito seja aplicada, é necessária a aprovação da maioria dos membros do Conselho, atualmente formado por Gilson Pelizaro (PT), Daniel Bassi (PSD) e Donizete da Farmácia (PL). Nos bastidores, a avaliação é de que já há maioria para a aprovação da penalidade, embora ainda não se saiba se o resultado será por 2 a 1 ou por unanimidade.

Uma vez aprovado, o relatório será lido em plenário - o que deve ocorrer já na sessão ordinária desta terça-feira -, com espaço para manifestação dos vereadores, ainda que a decisão já esteja definida.

A reportagem procurou o presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, Gilson Pelizaro, para comentar o processo contra Fransérgio. Na manhã desta segunda-feira, Pelizaro informou apenas que o parecer do Conselho ainda “não está pronto”.

Procedimento 

O Conselho de Ética formalizou, em 11 de março, um despacho cobrando explicações sobre as denúncias envolvendo Fransérgio. Desde então, o órgão recebeu a defesa do vereador, reuniu documentos sobre o caso, ouviu o parecer jurídico da Casa e preparará um relatório final com sua decisão.

Os membros do conselho se reuniram nos dias 25 e 26 de março para analisar o processo. Na ocasião, após lerem o parecer jurídico da Câmara, cujo conteúdo está mantido sob sigilo, os vereadores decidiram pedir mais explicações ao próprio setor jurídico antes de tomar uma decisão. Foi questionada pelo órgão a necessidade de incluir mais documentos no processo.

Na época, o vice-presidente do conselho, Daniel Bassi, afirmou que o setor jurídico da Câmara não considerou necessário anexar novos documentos ao processo. No entanto, em posição contrária, o conselho entendeu ser adequado incorporar novos documentos à investigação da conduta de Fransérgio.

“Pedimos a confirmação do jurídico se havia necessidade de anexar outros tipos de documentos para elaborar a nossa convicção quanto ao caso. O Departamento Jurídico da Câmara não achou necessário diligenciar sobre nenhum outro documento, nenhuma outra prova. Mas, mesmo assim, o Conselho como um todo – eu, o Gilson e também o Donizete – achamos por bem diligenciar sobre documentos que a gente acha necessários para a formação do relatório”, disse Bassi ao GCN, no dia 31 de março.

Tanto Bassi quanto o presidente do colegiado, Gilson Pelizaro, afirmaram que não podiam divulgar o teor dos documentos anexados ao processo. “Eu não posso falar sobre isso porque nem a pessoa que está sendo referida no processo teve acesso a isso ainda. Então, a gente não pode falar sobre quais documentos são, antes da manifestação do interessado, que é o vereador Fransérgio Garcia”, disse Bassi, também em 31 de março.

Fransérgio não comenta

Procurado pela reportagem nesta segunda-feira, Fransérgio informou que irá esperar um posicionamento oficial do conselho para se manifestar sobre o caso.

Na defesa apresentada pelo vereador ao Conselho de Ética, ele afirma que assumiu o volante porque o assessor Luís Marcelo Ramalho passou mal, com “variações glicêmicas”. Sobre a substituição do ofício 74/2026, que apontava que ele mesmo seria o motorista na viagem, o vereador argumentou que os funcionários erraram ao formalizar o PIV (Procedimento Interno de Viagem), o que foi corrigido posteriormente, no dia 6 de março. O primeiro documento, que acabaria substituído, foi assinado no dia 4 de março.

“Ressalte-se que, por erro formal de servidores (André Guarizo, Guilherme Sato, Maísa Grandizolli e Angélica Martins Manso), inicialmente teria sido indicado o nome da Presidência como condutor, o que foi regularizado com a retificação do documento em data anterior às matérias jornalísticas que ensejaram a denúncia, conforme procedimentos de praxe da Casa”, sustenta a defesa.

Leia mais:
Conselho de Ética se divide; Bassi quer mais ‘provas’

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Comentários

3 Comentários

  • a verdade 11 horas atrás
    UAI, SÓ ADVERTÊNCIA? EITA LADO SUJO DA POLÍTICA. CADÊ A CNH VÁLIDA? MAS, É ASSIM NESSE LINDO BRASIL NÉ. SEMPRE PIZZZZZZZAAAAAAA
  • Darsio 13 horas atrás
    Deixa-me ver se entendi! O cara está com a CNH suspensa e dirigia um carro oficial a uma velocidade acima do permitido e o tal Departamento Jurídico da Câmara sugeriu o arquivamento, alegando que no contrário, o caso poderia denegrir a imagem do legislativo? SENHORES ADVOGADOS DESSE TAL DEPARTAMENTO JURÍDICO, EU LHES PERGUNTO SE ESTÃO DEBOCHANDO DA NOSSA CARA? MAS, ADVOGADOS! ESSE VEREADOR ESTÁ ACIMA DAS LEIS DE TRÂNSITO? E, QUE RESPEITO ESSE LEGISLATIVO POSSUI? ALÉM DE CONCEDER A ELES MESMOS UM AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO DE 2 NIL REAIS E DE TÍTULOS DE CIDADANIA E NOMES DE RUAS QUE NÃO SERVEM PARA MERDA ALGUMA, O QUE OS NOBRES VEREADORES PROPUSERAM PARA SOLUCIONAR OS PROBLEMAS DA CIDADE, COMO POR EXEMPLO AS FILAS INTERMINÁVEIS DE PACIENTES ESPERANDO POR UM LEITO HOSPITALAR?
  • francano 1 dia atras
    A pizzaria da Câmara não para. Tudo termina em pizza, pizza.