Com a expansão acelerada dos veículos elétricos, que já respondem por mais de um quinto das vendas globais de carros novos até 2024, cresce também um relato curioso entre passageiros: tontura e enjoo durante o trajeto. A sensação, segundo estudos recentes, não é rara e tem relação direta com a forma como o corpo humano interpreta o movimento nesses veículos.
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O cérebro diante de um novo padrão de movimento
O enjoo de movimento surge quando há desencontro entre as informações enviadas pela visão, pelo ouvido interno e pela percepção corporal. Em carros elétricos, esse conflito tende a se intensificar. O motivo está na quebra de referências sensoriais comuns em veículos a combustão, como o ruído do motor, vibrações do câmbio e variações sonoras que ajudam o cérebro a prever acelerações e desacelerações.
Sem esses “avisos”, o sistema neurológico demora mais para antecipar o movimento, o que pode gerar desorientação.
Frenagem regenerativa e aceleração imediata
Outro fator decisivo é a tecnologia típica dos elétricos. A frenagem regenerativa desacelera o carro de forma contínua e prolongada ao transformar energia cinética em eletricidade, alterando a percepção de ritmo do deslocamento. Já a entrega imediata de torque faz com que acelerações ocorram de maneira silenciosa e, muitas vezes, inesperada para quem está no banco do passageiro.
Esse conjunto cria um ambiente de movimento diferente do padrão ao qual o corpo está habituado.
Banco traseiro e telas agravam o problema
Pesquisas indicam que passageiros sentados no banco de trás são mais suscetíveis ao enjoo, especialmente quando não conseguem visualizar a estrada. O uso de celulares e telas durante a viagem também aumenta o risco, pois intensifica o conflito entre visão e equilíbrio. Até microvibrações do assento entram na equação, influenciando a sensação de estabilidade.
O que já está sendo feito para reduzir o enjoo
Diante do avanço da mobilidade elétrica, pesquisadores e montadoras estudam soluções para tornar a experiência mais confortável. Entre as estratégias em análise estão sinais visuais sincronizados ao movimento do carro, iluminação ambiente dinâmica e vibrações sutis que ajudem o cérebro a antecipar mudanças de velocidade.
Enquanto essas tecnologias não se tornam padrão, especialistas recomendam condução mais suave, uso frequente do modo econômico, que reduz respostas bruscas, e evitar olhar para telas durante o trajeto.
Um desafio da transição tecnológica
O desconforto não é um defeito isolado, mas um efeito colateral da transição para um novo modelo de mobilidade. À medida que motoristas e passageiros ganham experiência com os carros elétricos, a tendência é que o cérebro se adapte a esse novo padrão. Até lá, ciência e indústria seguem em busca de soluções para alinhar conforto, tecnologia e bem-estar.
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