A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (23) uma operação para apurar suspeitas de operações financeiras irregulares relacionadas ao Banco Master no fundo de previdência dos servidores do estado do Rio de Janeiro.
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Os alvos de busca e apreensão são a sede do próprio Rioprevidência, que gere aposentadorias e pensões de servidores públicos do Rio, e endereços de pessoas relacionadas ao órgão. Uma deles é o atual presidente do fundo, Deivis Marcon Antunes.
Além de Antunes, também houve buscas contra Eucherio Lerner Rodrigues, ex-diretor de investimentos, e Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-gerente de investimentos.
A operação foi intitulada Barco de Papel e os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Federal do Rio.
Na residência de Antunes, localizada no bairro de Botafogo, foram apreendidos pen drives, dinheiro em espécie e relógios. Ele não foi encontrado no local, pois havia viajado legalmente para o exterior no dia 15. Segundo o Rioprevidência, o presidente está de férias, período que já estava programado desde novembro do ano passado.
Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Antunes assumiu a presidência do Rioprevidência em julho de 2023, após indicação do governador Cláudio Castro (PL). Foi na gestão de Antunes que o Rioprevidência investiu em fundos liderados pelo grupo Master, em aplicações financeiras sem garantias.
Procurado pela reportagem, o Rioprevidência disse em nota que "todos os investimentos efetuados pela autarquia observaram rigorosamente a legislação vigente e as normas dos órgãos de controle".
Também disse que está resguardado por decisão judicial de dezembro que determinou a retenção de R$ 970 milhões, acrescidos de juros e correção monetária, para "proteger o patrimônio previdenciário dos servidores ativos, aposentados e pensionistas do estado do Rio".
"Dessa forma, o investimento já está sendo quitado com a retenção de valores decorrentes dos empréstimos consignados, que seriam repassados ao Banco. Importante ressaltar que, com isso, os recursos estão à disposição do caixa previdenciário e o investimento será liquidado em cerca de dois anos", acrescentou. O órgao afirma ainda que está à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos necessários.
As defesas dos alvos ainda não foram localizadas pela reportagem.
As investigações foram iniciadas em novembro do ano passado e pretendem apurar um conjunto de nove operações financeiras feitas entre novembro de 2023 e julho de 2024 que resultaram numa aplicação de R$ 970 milhões em recursos da Rioprevidência em letras financeiras do Master.
São apuradas suspeitas de crimes contra o sistema financeiro nacional, como gestão fraudulenta, desvio de recursos, induzir em erro repartição pública e fraude à fiscalização ou ao investidor, além de associação criminosa e corrupção passiva.
No ano passado, em meio às investigações sobre o Master, o Rioprevidência divulgou uma nota em que dizia que as letras financeiras emitidas pelo banco tinham vencimentos previstos para 2033 e 2034 e que a autarquia fluminense estava "em negociação para substituir as letras por precatórios federais".
"Importante esclarecer ainda que à época das aplicações, o Banco Master S.A. detinha autorização de funcionamento emitida pelo Banco Central do Brasil, credenciamento ativo junto ao Ministério da Previdência Social e classificação de risco de crédito de 'grau de investimento' - rating nacional de longo prazo 'A-', atribuído pela Fitch Ratings, atestando solidez financeira e a credibilidade institucional. As aplicações foram realizadas em conformidade com todos os regramentos vigentes à época e de acordo com o Plano Anual de Investimentos que foi aprovado pelo Conselho de Administração da Autarquia", disse o Rioprevidência, na ocasião.
"A descoberta de fraudes dessa monta e dessa gravidade no Banco Master atinge não apenas o Rioprevidência, mas milhares de investidores, outros RPPSs, empresas privadas e estatais, entre outros entes", dizia a nota.
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