10 de setembro de 2026
OFERTA PERIGOSA

Preço baixo demais? Golpe da falsa loja faz vítimas online

Por Alyson Rodrigues / JP |
| Tempo de leitura: 3 min
Imagem gerada por IA
O problema aparece quando a facilidade também é usada por criminosos para criar lojas falsas e convencer consumidores a pagar por mercadorias que nunca serão entregues.

Comprar pela internet se tornou parte da rotina de milhões de brasileiros. Com poucos cliques, é possível encontrar roupas, eletrônicos, móveis, eletrodomésticos e praticamente qualquer outro produto. O problema aparece quando a facilidade também é usada por criminosos para criar lojas falsas e convencer consumidores a pagar por mercadorias que nunca serão entregues.

O golpe da falsa loja costuma explorar principalmente preços muito abaixo do mercado, promoções com tempo limitado e anúncios patrocinados nas redes sociais. A página pode ter aparência profissional, logotipo, fotos dos produtos, avaliações e até informações de contato, criando a impressão de que se trata de uma empresa verdadeira.

Na prática, depois que a vítima realiza o pagamento, o produto pode nunca chegar. Em outros casos, os criminosos podem utilizar os dados fornecidos durante a compra para tentar aplicar novas fraudes.

Como funciona o golpe

A fraude geralmente começa com um anúncio visto nas redes sociais, em mecanismos de busca ou até mesmo enviado por mensagem. O produto anunciado chama atenção por apresentar um valor considerado muito vantajoso.

Ao acessar a página, o consumidor encontra uma loja virtual aparentemente normal. Existem categorias de produtos, fotos, preços, formas de pagamento e informações sobre entrega.

O objetivo dos criminosos é fazer com que a pessoa deixe de analisar os sinais de alerta e conclua a compra rapidamente.

Em alguns casos, a página utiliza o nome ou a identidade visual de uma empresa verdadeira. Também podem ser criados endereços eletrônicos muito parecidos com os de lojas conhecidas, mudando apenas algumas letras ou utilizando extensões diferentes.

Outro recurso comum é a criação de promoções falsas. O consumidor pode ser informado de que determinado produto está disponível por poucas horas ou que restam poucas unidades em estoque.

A sensação de oportunidade faz com que a vítima tenha menos tempo para pesquisar a empresa e comparar as informações.

Preço baixo demais é um dos principais sinais

Um dos primeiros pontos que devem despertar desconfiança é a diferença entre o preço anunciado e o valor normalmente praticado no mercado.

Uma promoção pode ser verdadeira, mas descontos exagerados exigem uma verificação maior.

Antes de comprar, o consumidor pode pesquisar o mesmo produto em outras lojas e comparar os valores. Se uma página oferece um celular, televisão ou outro equipamento por uma quantia muito inferior à praticada por empresas conhecidas, é importante investigar antes de fazer qualquer pagamento.

O preço, sozinho, não prova que uma loja seja falsa. Porém, quando aparece acompanhado de outros sinais, como site recém-criado, ausência de informações sobre a empresa e pressão para pagamento imediato, o risco aumenta.

Como descobrir se a loja é verdadeira

A primeira medida é verificar quem está por trás do site. Procure informações como razão social, CNPJ, endereço físico, telefone e canais de atendimento. Esses dados devem ser analisados e, quando possível, conferidos em fontes oficiais.

Também é importante observar o endereço do site. Pequenas alterações no domínio podem indicar uma página criada para imitar uma empresa conhecida.

Outro cuidado é não confiar somente na aparência. Uma página falsa pode ser bem produzida e utilizar imagens profissionais, logotipos e textos semelhantes aos de uma loja verdadeira.

Pesquisar o nome da empresa na internet também pode ajudar. Reclamações de consumidores, notícias e relatos de outras pessoas podem revelar problemas anteriores.

Ainda assim, é preciso tomar cuidado com avaliações exibidas dentro do próprio site. Como são controladas pela loja, elas podem ser falsas ou manipuladas.


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Cuidado com redes sociais

As redes sociais se tornaram uma das principais vitrines para lojas e vendedores, mas também podem ser utilizadas para divulgar páginas fraudulentas.

Um perfil com muitos seguidores não significa necessariamente que a empresa seja confiável. Da mesma forma, comentários e curtidas podem não representar clientes reais.

Antes de comprar por meio de um anúncio, procure o site oficial da empresa separadamente, em vez de simplesmente clicar no link recebido.

Também vale verificar há quanto tempo o perfil existe, se há publicações antigas, se os comentários são coerentes e se existem informações sobre endereço e atendimento.

Quando uma conta foi criada recentemente e já oferece produtos caros por preços muito baixos, o consumidor deve redobrar a atenção.

Pix exige cuidado redobrado

O Pix tornou os pagamentos mais rápidos, mas também pode ser explorado por criminosos em falsas vendas.

Antes de confirmar uma transferência, confira cuidadosamente o nome do recebedor e os dados apresentados pelo banco.

Se o nome da pessoa ou empresa que receberá o dinheiro não tiver relação clara com a loja, interrompa a operação e procure confirmar a informação.

Também é importante desconfiar quando o vendedor insiste que o pagamento seja feito exclusivamente por Pix, principalmente quando oferece um desconto adicional para quem escolher essa modalidade.

Uma empresa pode oferecer desconto para pagamentos à vista, mas isso não significa que qualquer vendedor que faça essa exigência seja confiável. O consumidor deve avaliar o conjunto de informações antes de concluir a compra.

Cartão também não elimina o risco

O cartão de crédito pode oferecer mecanismos adicionais de contestação em determinadas situações, mas não significa que uma compra em site desconhecido seja automaticamente segura.

Nunca envie por mensagem fotos do cartão, senhas ou códigos de segurança.

Também evite salvar informações do cartão em páginas que você não conhece.

Se o site apresentar comportamento estranho, solicitar dados que não parecem necessários para a compra ou redirecionar para páginas suspeitas, interrompa o procedimento.

O que fazer se a compra nunca chegar?

Se o consumidor perceber que caiu em uma falsa loja, é importante agir rapidamente.

O primeiro passo é guardar todas as provas. Prints da página, anúncio, conversa com o vendedor, comprovante de pagamento, endereço do site, e-mails e informações da conta que recebeu o dinheiro podem ajudar na investigação.

No caso de pagamento por Pix, a vítima deve entrar em contato imediatamente com o banco e informar que foi vítima de fraude. Dependendo da situação, pode haver mecanismos de contestação e tentativa de recuperação dos valores.

Também é recomendável registrar um boletim de ocorrência e comunicar a plataforma utilizada para divulgar o anúncio.

Se o pagamento foi feito com cartão, o consumidor deve entrar em contato com a instituição financeira e informar a fraude, solicitando orientação sobre a contestação da operação.

Quanto mais rapidamente a vítima agir, maiores são as possibilidades de preservar informações e tentar interromper movimentações relacionadas ao golpe.

Como evitar cair na falsa loja

Alguns cuidados simples podem reduzir consideravelmente o risco de prejuízo:

1 - Pesquise a empresa antes da compra: confira CNPJ, endereço, telefone e histórico.

2 - Compare preços : desconfie de valores muito abaixo dos praticados por outras lojas.

3 - Confira  o endereço do site: observe letras, símbolos e o domínio utilizado.

4 - Não compre por impulso: promoções com contagem regressiva ou suposto estoque limitado podem ser utilizadas para pressionar a vítima.

5 - Procure reclamações: pesquise o nome da empresa e veja se existem relatos de consumidores.

6 - Desconfie de descontos exagerados no Pix: principalmente quando essa é a única forma de pagamento oferecida.

7 - Confira quem receberá o dinheiro: antes de confirmar o Pix, verifique o nome apresentado pelo banco.

8 - Evite links recebidos de desconhecidos: procure o endereço oficial da loja diretamente no navegador.

9 - Não forneça dados desnecessários: informações pessoais e bancárias devem ser compartilhadas apenas quando realmente necessárias.

10 - Desconfie da urgência: se a loja tentar impedir que você pesquise ou confira os dados antes de pagar, pare a compra.

Outros golpes também podem começar no celular

A falsa loja é apenas uma das estratégias utilizadas por criminosos. Outros golpes digitais exploram o WhatsApp, links falsos e até falsas centrais bancárias.

Para conhecer outros casos e saber como identificar essas fraudes, confira também as matérias da série:

Golpe do WhatsApp falso: veja como descobrir se a pessoa que está pedindo dinheiro é realmente quem diz ser. Leia a matéria.

Golpe do link falso: entenda como o phishing utiliza páginas falsas para tentar roubar dados e dinheiro. Leia a matéria.

Falsa central bancária: conheça o caso de um aposentado de Piracicaba que perdeu R$ 16 mil após ser abordado por criminosos que se passaram por funcionários de banco. Leia a matéria.

Conhecer os métodos utilizados pelos criminosos é uma das principais formas de prevenção. As histórias mudam, assim como os nomes das empresas e os meios usados para abordar as vítimas, mas muitas fraudes seguem uma lógica parecida: criar confiança, oferecer uma vantagem e pressionar a pessoa a tomar uma decisão rapidamente.

Por isso, antes de qualquer compra pela internet, vale parar alguns minutos para conferir a empresa, pesquisar o preço, analisar o endereço do site e verificar quem receberá o pagamento.

Na dúvida, não conclua a compra. Uma promoção pode desaparecer, mas o dinheiro enviado para um criminoso pode ser muito mais difícil de recuperar.