Para a presidenta licenciada da Apeoesp, a deputada estadual Professora Bebel (PT), a declaração dada pelo governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de que elevar salário dos professores da rede estadual de ensino de São Paulo em 1% custaria R$ 500 milhões, é demonstração clara de que ele “é inimigo da educação pública de qualidade”, e que não tem a educação como prioridade. A declaração foi dada em recente sabatina à Rádio Jovem Pan, quando Tarcísio de Freitas, que é candidato à reeleição ao governo de São Paulo, foi questionado sobre reajuste salarial para os 200 mil professores da rede estadual de ensino.
Bebel diz que enquanto o governador nega reajuste e valorização aos professores e demais profissionais da educação, o seu governo concede isenção de R$ 89,5 bilhões a empresários paulistas, sem maiores explicações. Além disso, esse mesmo governador, com apoio da sua base aliada na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, conseguiu alterar a Constituição Estadual e reduziu de 30% para 25% o orçamento estadual para a área da educação, o que representa um corte anual superior a R$ 11 bilhões.
A consequência desses cortes na área da educação e os ataques ao magistério paulista está prejudicando a juventude de São Paulo, com queda na qualidade de ensino e o fechamento de centenas de salas de aulas no noturno, deixando milhares de estudantes fora da escola, inclusive prejudicando o funcionamento do EJA (Ensino de Jovens e Adultos).
A deputada estadual Professora Bebel cita os resultados do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Brasileira), de 2025, que revela a estagnação da educação pública no estado de São Paulo, caindo da oitava para a décima primeira posição no ranking nacional referente ao ano de 2025. Para Bebel, os resultados do IDEB não podem ser dissociados das políticas educacionais do governo Tarcísio: “são os resultados esperados e lógicos dessas políticas. Não se pode esperar melhoria expressiva da aprendizagem escolar com corte de verbas, plataformização, autoritarismo e assédio moral, desvalorização e perseguição aos profissionais da Educação, militarização e privatização de escolas”, diz.
Para a parlamentar, ao invés de o Estado de São Paulo, que é o mais rico da federação, fazer os investimentos necessários nas escolas e valorizar os profissionais da educação, o governador impõe um modelo de ensino integral que não dialoga com as comunidades e não corresponde às necessidades dos estudantes. “Ao contrário, exclui os estudantes trabalhadores e os priva até mesmo a opção pelo ensino noturno e pela Educação de Jovens e Adultos, com a redução o fechamento de salas em todo Estado de São Paulo. Ou seja, esse jovem não consegue estudar na idade própria nem mais tarde. Portanto, neste governo está sendo praticada uma dupla exclusão”, ressalta.
Para exemplificar o que diz, Bebel lembra que entre 2025 e 2026, o Estado de São Paulo perdeu 251 mil estudantes do ensino médio, uma evasão 2,5 vezes a média nacional. Uma verdadeira tragédia. “Esses resultados mostram que São Paulo precisa de mudança urgente. A Educação paulista pede socorro. São Paulo precisa, mais do que nunca de um professor, de alguém que respeite e tenha compromisso com a educação pública de qualidade para os filhos e filhas da classe trabalhadora”, completa.