A Raízen, uma das maiores empresas do setor sucroenergético e de distribuição de combustíveis do país, segue avançando em seu processo de recuperação financeira. A avaliação é do empresário Rubens Ometto, controlador da Cosan, que demonstrou confiança nos resultados da reestruturação da companhia, atualmente responsável por uma dívida estimada em R$ 65 bilhões.
Segundo Ometto, o plano de reorganização vem apresentando evolução positiva e deve fortalecer a empresa para os próximos anos. A Raízen entrou com pedido de recuperação extrajudicial em março e, recentemente, obteve apoio dos principais credores, que representam mais de 80% do montante devido.
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Plano prevê conversão de dívida e reorganização
O acordo firmado estabelece que 45% da dívida será convertida em participação acionária. Já os 55% restantes serão refinanciados por meio de novas operações financeiras.
Além disso, a estratégia inclui uma série de medidas consideradas estruturais, como venda de ativos, reorganizações societárias e separação de áreas de negócios.
Outro ponto relevante do plano é o novo aporte financeiro da Shell, que deve investir R$ 3,5 bilhões na companhia. Ometto também possui a possibilidade de realizar um investimento adicional de R$ 500 milhões com recursos próprios.
Separação de negócios ganha força
Entre as mudanças previstas está a divisão das operações de produção de açúcar e etanol das atividades ligadas à distribuição de combustíveis.
De acordo com o empresário, a medida busca atender perfis diferentes de investidores e aumentar a atratividade da companhia no mercado.
A proposta representa uma mudança em relação ao modelo de integração adotado na criação da Raízen, resultado da parceria entre Cosan e Shell, que atualmente dividem participações equivalentes de 44% na empresa. Os demais 12% pertencem a acionistas minoritários.
Endividamento teve origem em expansão acelerada
Nos últimos anos, a companhia realizou investimentos expressivos, principalmente na produção de etanol de segunda geração, tecnologia que utiliza resíduos da cana-de-açúcar, como palha e bagaço, para ampliar a geração de biocombustíveis.
O elevado volume de investimentos, somado ao aumento do endividamento, contribuiu para o atual cenário financeiro enfrentado pela empresa.
Apesar disso, Ometto destacou que a Raízen continua sendo uma companhia sólida operacionalmente, com capacidade de geração de caixa e estrutura considerada eficiente.
Controlador demonstra confiança
Durante participação em evento realizado no Rio de Janeiro em comemoração aos 74 anos do BNDES, o empresário afirmou que os desafios enfrentados pela empresa estão relacionados à estrutura de capital e não à operação do negócio.
Segundo ele, a reorganização financeira deverá criar condições para que a companhia recupere sua capacidade de crescimento de forma sustentável.
A expectativa do mercado agora se concentra na execução das medidas previstas no plano de recuperação e nos impactos que a nova estrutura poderá gerar para investidores, credores e para o setor de energia e combustíveis.