ARTIGO

Relacionamento de aparências

Por Luiz Xavier |
| Tempo de leitura: 3 min

Uma interessante reflexão do psicólogo, terapeuta sexual e um dos meus mestres, Eduardo Yabusaki, sobre a “necessidade” de se manter, aos olhos dos outros, relações “adequadas e perfeitas”. Acompanhem: 
“Manter-se num relacionamento de aparências não é tão incomum quanto se pensa. Inúmeras podem ser as razões que levam a essa situação.

Vez por outra nos deparamos com relacionamentos que são muito bons, outros excelentes, outros conflituosos, mas viáveis, enfim, inúmeras formas de viver e conviver dentro de uma vida a dois. Entretanto, sabemos que muitos relacionamentos permanecem, simplesmente por uma circunstância ou por interesse, sem que necessariamente os sentimentos, ideais ou desejo estejam no predomínio.

Outros perduram por comodidade, medo da solidão, comprometimento social, envolvimento familiar, proteção aos filhos. Enfim, meramente por aparências e não por sentimentos, afeto ou significado. 
Pode parecer estranho, ou mesmo cruel e insensível, fazer tais afirmações. É frequente depararmo-nos com casais, seja no consultório ou em ambientes no nosso entorno, que se esforçam em manter uma imagem (falsa) de felicidade e entrosamento.

Basta observarmos e abrirmos nossos ouvidos que rapidamente identificaremos uma situação assim ou com grande potencial de se tornar. O curioso é que muitos desses casais não percebem que todos já “leram” o comportamento e/ou postura de fachada deles.

Quando avaliamos e concluímos que estamos vivendo essa situação, bate uma angústia e até o desespero, pelo tempo perdido, sentimentos abandonados, falta de motivação, prazer e alegria no relacionamento. Diante disso tudo, o que fazer? É possível mudar ou é melhor pular fora logo?

Dá para resgatar o relacionamento e ser feliz?

Muitas perguntas sem respostas vêm à tona, junto com angústias, conflitos, dor e sofrimento, que só fazem aumentar tristeza e incerteza. Nessas condições o melhor é não decidir nem fazer nada. O turbilhão precisa ser acalmado aos poucos com respostas às perguntas básicas. Não queira responder ou resolver tudo numa tacada só. 
Algumas dicas e sugestões:

- Procure centrar-se em seus sentimentos, afetos e emoções: acalme-os e acima de tudo acredite que pode vivê-los de forma mais positiva, saudável e prazerosa;

- Avalie tudo que viveu nessa parceria. Por mais que constate que tenha vivido de aparências por tempos, certamente têm aspectos bons e positivos entre vocês, como identificações, afinidades, bons sentimentos e valores

- Ressalte os seus valores e características positivas, e faça o mesmo com o seu par. Feche/elabore o luto das mágoas, dos ressentimentos e das tristezas para trás, senão em nada irão ajudar a se reestruturarem;

- Discutam um projeto conjugal juntos para estabelecerem condições para atingirem os anseios, desejos e interesses para um bom relacionamento;

- Cultivem a oportunidade de se aprofundarem sincera e honestamente, sem máscaras ou máculas, um no outro, a transparência e clareza são primordiais;

- Pensem que para poder resgatar, reconstruir e redirecionar o relacionamento, é preciso ter condições básicas de tranquilidade, tolerância, boa comunicação, bom humor, descontração, paz, serenidade, compreensão, afeto, cultivo de bons sentimentos. Enfim, estímulos que possam conduzir a relação numa trajetória de futuro, desejo e amor;

- Se necessário, não hesitem em buscar ajuda profissional de um terapeuta de casais.

Lembre-se que destruir é sempre mais fácil, e num relacionamento é preciso o tempo todo estar atentos ao que estamos e iremos construir.”

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