ARTIGO

Aos vândalos destruidores de patrimônio público

Por Ivana Maria França de Negri |
| Tempo de leitura: 3 min

Há vários tipos de vandalismo que se tornaram corriqueiros em Piracicaba. Roubo de placas e bustos de praças, vasos e letras de bronze de túmulos do cemitério e fiação de cobre de logradouros.

Há os que se dedicam a pichar monumentos, pontes, paredes, emporcalhando tudo e deixando a cidade feia e com muita poluição visual.

A pessoa compra um spray de tinta, que não custa barato, vai até o monumento que pretende vandalizar, geralmente na calada da noite, às escondidas. Perde um tempo precioso que poderia ser utilizado para causas mais nobres. E escreve uma bobagem...

Penso comigo: o que esse ser ganha fazendo isso?    Já ouvi alguns absurdos tipo: “Isso é democracia!” Democracia é destruir um bem público? Essas pessoas que gostam de sujar paredes e monumentos, deveriam fazer isso na parede das suas casas e não na dos outros ou nos bens coletivos. Daí sim, seria um ato democrático. Se gosta de sujeira, faça na sua casa, no seu muro, danifique seu anãozinho de jardim.

Já ouvi outros disparates: “Ah! Mas são os marginalizados da sociedade que não têm voz e precisam escrever nos muros e monumentos para serem vistos e ter ouvida sua opinião”. Como assim? Em plena era da informática, com as redes sociais fervilhando, qualquer um pode ser ouvido e lido sem precisar destruir patrimônio público. Mas que postem em suas próprias linhas do tempo o que quiserem e não venham infernizar quem pensa diferente. Cada um no seu quadrado, como costumam dizer .

Nestes dias fizeram a festa na ponte estaiada. Lamentável atitude destruidora. Pessoas que são capazes apenas de devastar, mas que nada constroem...

O peixe na entrada da cidade, um lindo monumento que representa o nosso amado rio Piracicaba, foi eleito como alvo desses pichadores sem educação - para não usar adjetivos mais adequados para defini-los.

Já visitei muitos países e sempre me encanto com os monumentos e obras de arte, ou nos museus ou em praças abertas, mas sempre respeitados e bem cuidados pelo poder público e também pelo povo. Já tirei lindas fotos em sítios históricos,  monumentos, como a estátua de Fernando Pessoa em Lisboa, ao lado de esculturas de ursos no Canadá, da aranha gigante em Ottawa, com a Julieta em Verona, entre estátuas de gatos na Turquia, com a Vênus de Milo no Louvre, com a

Pequena Sereia na Dinamarca, com Davi de Michelângelo em Florença, com as maravilhosas estátuas de Vigeland em Oslo, até com a estátua de Cristiano Ronaldo na Ilha da Madeira. Foram tantas, nem me lembro de todas. Nenhuma delas pichada.

E não sei porque aqui em Piracicaba há essa falta de civilidade e desprezo total pela arte. Deveriam ser punidos, isso sim! É crime ambiental, e a pena varia de 3 meses a 1 ano de prisão e multa. Já está mais do que na hora de começar a punir.

E quem acha engraçado, é conivente e tão ignorante como quem picha. A pena alternativa para os pichadores deveria ser ao menos limpar a sujeira que fizeram e serem escalados para lavar e polir os monumentos.

Falta muito ainda para que sejamos um povo culto, educado e civilizado. respeitador do patrimônio público como se fosse uma extensão da nossa casa.

Mas a administração também tem sua cota a ser cumprida, que é preservar os locais históricos da cidade, arrumar o que está gasto, velho, danificado, colocar câmeras de vigilância, punir quem for pego danificando e fiscalizar os ferros-velhos, pois muitos compram bem barato o material que ladrões roubam, sendo coniventes com o crime.

Quem sabe as coisas melhorem e as pessoas se tornem civilizadas como nos países de primeiro mundo!

Ivana Maria França de Negri é escritora.

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