ARTIGO

Dia do livro infantil e a obra de Thales Castanho de Andrade

Por Redação/JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Ivana Maria França de Negri é escritora.
Ivana Maria França de Negri é escritora.

O Dia Internacional do Livro Infantil é um evento internacional comemorado no dia 2 de abril, em função da data em que nasceu o escritor Hans Christian Andersen, em  Odense, Dinamarca, em 1805. Autor de contos famosos como “O Soldadinho de Chumbo”, “O Patinho Feio”, “A Pequena Sereia”, “A Roupa Nova do Rei”, entre outros.

A literatura infantil, quer escrita quer contada, é fascinante. Crianças adoram ouvir, ler e também contar histórias.

Uma de minhas netas, aos quatro anos, tinha predileção pelo livro El Rei Dom Sapo de Thales Castanho de Andrade. Meu marido contou certa vez a historinha e ela gostou tanto que pedia que ele a recontasse todos os dias. O personagem Agapito era o seu preferido.

Certa vez, passeando no Shopping, estávamos na livraria Nobel e duas moças, contadoras de histórias, entretinham um pequeno grupo de crianças. Com roupas coloridas, trejeitos e gestos espalhafatosos para dar ênfase a cada frase, as contadoras pareciam mesmo encantadoras de crianças.

Ana Clara se interessou pelas histórias e sentou-se no tapetinho com as outras crianças para ouvir também. Quando as moças terminaram, pediu: - “Conta agora a história do Agapito!”. As duas contadoras de histórias se entreolharam. E ela continuou: -“meu avô sabe!” Ao esclarecermos que era um personagem do livro de Thales Castanho de Andrade, elas confessaram não conhecer nem a história e nem o autor.

Fiquei triste. Como duas piracicabanas contadoras de histórias desconhecem quem foi Thales Castanho de Andrade? Alguma coisa deveria estar errada. Thales é considerado o fundador do gênero infanto-juvenil, que antes era atribuído a Monteiro Lobato. Constatou-se que Thales publicou o livro “A Filha da Floresta” em1919 e Lobato editou “Reinações de Narizinho” três anos depois, em 1922. Lobato foi destituído do título que passou a ser de Thales.

Ele viveu em Piracicaba toda a sua vida. Estudou e formou-se no Sud Mennucci, lecionou lá por muitos anos e também no Colégio Piracicabano e em outras escolas da zona rural. Inclusive, foi vereador da Câmara Municipal de Piracicaba. Editou dezenas de títulos da Coleção Infantil “Encanto e Verdade”, hoje ausentes das livrarias.

Eu penso que os livros de Thales deveriam ser mais divulgados e reeditados para que as novas gerações tivessem acesso a sua obra.

Numa época em que nem se falava em ecologia, Thales foi precursor da luta em prol da natureza e era mesmo um ecologista nato.

Sua obra “A Filha da Floresta” fala sobre a devastação das florestas. “El Rei Dom Sapo” conta a história do Agapito, menino rejeitado e de má índole, mas que depois de vários acontecimentos, muda suas atitudes e passa a ser um defensor da natureza. São obras belissimamente ilustradas pelo artista Alípio Dutra e publicadas pela Editora Melhoramentos, dignas de serem adotadas por escolas de todo o país, e divulgadas mais amplamente para que contadoras de histórias piracicabanas se inteirem delas e passem a contá-las.

Uma sugestão ao fundo de apoio à cultura da cidade, reeditar o rico acervo de Thales Castanho de Andrade para que seu legado, de cunho ecológico e educativo, seja conhecido pelas novas gerações. Afinal, esse gênio, idealizador do gênero infanto-juvenil, esteve muito além do seu tempo, e seus livros são conhecidos internacionalmente. Pena que santo da casa não faça milagres.

Ivana Maria França de Negri é escritora.

Comentários

Comentários