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A dificuldade de não saber dizer não (1-2)

Por Redação/JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
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Luiz Xavier é Psicólogo Clínico, Terapeuta Sexual e Terapeuta de Casais.
Luiz Xavier é Psicólogo Clínico, Terapeuta Sexual e Terapeuta de Casais.

A dificuldade em dizer não é um padrão emocional muito comum, facilmente detectável em boa parte das pessoas. A maioria de nós, em maior ou menor grau, sente essa dificuldade. De modo geral, a origem desse comportamento vem da infância. A criança aprende que, se não for boazinha, ninguém irá gostar dela e não irá para o céu. Os conceitos são assimilados como verdades incontestáveis, integrados ao medo e gravados na memória. Para evitar o temor de não ser amada, a criança se comporta de acordo com as expectativas dos adultos, sendo, então, gratificada ou poupada de castigos, e isso se reflete na vida adulta. A seguir apresento uma reflexão do terapeuta holístico, André Lima, sobre essa dificuldade.

Algumas vezes, a dificuldade aparece disfarçadamente. Algumas explosões de raiva são, por exemplo, na verdade, uma manifestação das consequências desse padrão. Tem gente que costuma aceitar tudo. O outro pede e ela faz e não reclama. No entanto, vai se acumulando uma insatisfação interior até que um belo dia surge uma grande reação de raiva. Nesse dia, ela consegue dizer não para a pessoa e aproveita a oportunidade para falar tudo que ficou engasgado. O resultado disso é a perda das amizades, dificuldades nos relacionamentos pessoais e de trabalho.

As pessoas que têm esse padrão costumam comentar coisas do tipo ‘fulano é muito cara de pau, teve a capacidade de pedir isso e aquilo, e não é a primeira vez’; ‘eu jamais teria coragem de pedir tal coisa pra alguém’. E, no entanto, mesmo contrariadas, atendem ao pedido.

É como se a pessoa dissesse interiormente ‘vou fazer o que estão me pedindo, mas de forma muito contrariada, e ainda comentarei com todo mundo o quanto essa pessoa é cara de pau’.
Esse tipo de discurso coloca a pessoa no lugar vítima: os outros não me respeitam, a culpa não é minha, o mundo é que deveria mudar’. Um ganho secundário desse comportamento é o de ser visto como uma pessoa boa pelos outros: a explorada, a coitada, a vítima das maldades do mundo. Muita gente usa do vitimismo para obter aceitação e reconhecimento. No entanto a tendência é que as pessoas comecem a perceber esse padrão e se afastem com o tempo. Ela então precisará encontrar novos círculos para realizar o mesmo processo.


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Muitas pessoas que agem dessa forma começam a se isolar como forma de evitar relacionamentos e ter que fazer coisas contra a sua vontade. Viver a vida sem colocar limites acaba levando à tristeza, à ansiedade e à depressão.

A dificuldade em dizer não pode estar em vários níveis, variando de pessoa para pessoa. Tem casos em que a raiva se acumula até explodir. Tem outros em que pessoas até dizem não na hora, mas o fazem de forma raivosa ou agressiva. É a sua defesa para esconder a insegurança que carregam. O ‘não’ poderia ser dito de forma firme e ao mesmo tempo educada, sem qualquer tipo de desconforto por alguém que fosse mais seguro.  Existe ainda aquele tipo que parece que nunca fica com raiva. É nessas pessoas que a insatisfação provocada irá causar mais intensamente quadros de depressão e ansiedade.

Comecei a refletir sobre o seguinte: de vez em quando me pego irritado quando alguém me solicita algo que não considero razoável, ou testemunho amigos comentando coisas que indicam sentimentos parecidos. Comecei, então, a desenvolver o seguinte pensamento: qualquer um tem o direito de pedir o quiser, quando quiser, e eu tenho que estar preparado para isso aprendendo a negar e colocar os limites de forma firme e sem me alterar. Se eu fico com raiva ou irritado, sei que faz parte da minha insegurança e não adianta culpar ou falar mal do outro, pois isso seria vitimismo.

Luiz Xavier é Psicólogo Clínico, Terapeuta Sexual e Terapeuta de Casais.

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