O Jornal de Piracicaba, ao lado da Gazeta de Piracicaba e da Tribuna Piracicabana, realiza uma mobilização inédita em defesa da cultura local. Os três veículos lançaram a campanha “Uma casa para a palavra”, com o objetivo de sensibilizar autoridades e a população sobre a necessidade de a Academia Piracicabana de Letras (APL) conquistar uma sede própria. A iniciativa busca garantir a preservação do acervo da entidade, além de oferecer um espaço adequado para reunir escritores, leitores e fortalecer sua atuação cultural.
Com trajetória consolidada desde sua fundação, em 11 de março de 1972, a APL chega aos 54 anos como uma das principais referências na preservação da memória literária de Piracicaba. Ao longo de sua história, promoveu debates, encontros, lançamentos de livros e ações de incentivo à escrita, especialmente voltadas a novos talentos. Atualmente, a instituição é composta por 40 acadêmicos e seus respectivos patronos, todos nomes de relevância na cultura local.
Mesmo com essa importância, a Academia ainda não dispõe de um espaço próprio. Parte significativa de seu acervo histórico permanece distribuída entre residências de membros e locais cedidos, como a Biblioteca Municipal e o Instituto Histórico e Geográfico. A conquista de uma sede definitiva é vista como essencial não apenas para a proteção desse material, mas também como um símbolo do reconhecimento cultural da cidade.
A presidente da APL, Raquel Delvage, junto à diretoria, destaca que a campanha se apresenta como um chamado à sociedade. “A palavra merece uma casa. Piracicaba merece esse legado”, resume, ao reforçar o convite a educadores, gestores públicos e à população para que se engajem na causa.
Marco na história cultural
A criação da Academia Piracicabana de Letras, em 1972, foi marcada por uma cerimônia de grande simbolismo. Realizado no Salão Magno da Faculdade de Odontologia, na rua Dom Pedro II, o evento reuniu autoridades civis, representantes de instituições culturais e convidados. Logo na entrada, livros de registro organizados por Hugo Pedro Carradore recebiam as assinaturas dos participantes e dos acadêmicos empossados.
O ambiente, completamente tomado pelo público, ganhou ainda mais solenidade com a presença de doze integrantes dos Dragões da Independência, trajando uniformes de gala e posicionados nas laterais do salão. A decoração com flores reforçava o caráter festivo da ocasião, aberta oficialmente por João Chiarini, então presidente da entidade, com Carradore atuando como secretário.
Entre os patronos convidados estavam nomes expressivos da cultura nacional, como Flávio de Carvalho e Thales Caetano de Andrade. A solenidade contou ainda com representantes de academias, institutos históricos e geográficos, centros de estudos, faculdades e autoridades, consolidando-se como um dos grandes momentos culturais da cidade.
Abaixo, João Chiarini, que presidiu a sessão de criação da APL:

Mobilização
Para Raquel Delvage, o envolvimento direto do Jornal de Piracicaba, ao lado da Gazeta e da Tribuna, dá à campanha um alcance significativo. Segundo ela, trata-se de um esforço coletivo capaz de mobilizar a sociedade em torno de um objetivo comum: a conquista da sede própria. “A campanha já nasce forte”, avalia.
A presidente ressalta ainda que a iniciativa contribui para ampliar o papel da APL como incentivadora da leitura e promotora da produção literária. Projetos como oficinas, saraus e eventos culturais reforçam essa vocação. “A proposta essencial é manter Piracicaba como um polo cultural importante, admirado”, afirma.
A presença da Academia na vida cultural da cidade também se evidencia na realização da Festa Literária de Piracicaba (Flipira), evento que reúne escritores, editoras e visitantes de diversas regiões do país. Além disso, os acadêmicos mantêm contato constante com escolas, desenvolvendo atividades que estimulam não apenas o hábito da leitura, mas também a descoberta de novos talentos literários. Esse trabalho já rendeu à entidade reconhecimento público, como moções de aplauso do Legislativo.
Tradição
Em meio às transformações tecnológicas e à rapidez da informação, a leitura segue sendo um dos pilares da atuação da APL, ainda que hoje extrapole o universo dos livros impressos. A entidade se adaptou ao ambiente digital e passou a utilizar ferramentas como blog, site e redes sociais para ampliar sua comunicação com o público e divulgar suas atividades.
Algumas iniciativas já se tornaram tradicionais na agenda cultural da cidade. Entre elas está o Diploma Thales Castanho de Andrade, voltado a crianças e adolescentes que se destacam em atividades culturais. A Revista da APL também se consolidou como publicação de referência, assim como a página semanal Prosa e Verso, mantida de forma ininterrupta há 26 anos.
Com a campanha “Uma casa para a palavra”, impulsionada pelo JP, Gazeta e Tribuna, a expectativa é de que a mobilização ganhe força e resulte em um novo capítulo na história da Academia Piracicabana de Letras — desta vez, com um endereço definitivo para abrigar a produção literária e a memória cultural da cidade.