ARTIGO

Por que tantos estudantes abandonam a escola no Estado de SP?

Por Professora Bebel |
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Fechamento de classes no  noturno, corte de verbas da Educação, falta de manutenção e ref ormas nas escolas, plafaformização, medidas privatizantes e, neste, ano militarização das escolas,  equivocada implementação de escolas de tempo integral com até nove horas diárias no ensino médio, empobrecimento do currículo escolar na área de humanidades, desvalorização dos professores, ausência de uma política de climatização em face das altas temperaturas e uma série de outras medidas e omissões do governo de Tarcísio de Freitas na rede estadual de ensino mostram suas consequências.

Uma delas está evidenciada na matéria do jornal Folha de S. Paulo, que reproduzimos a seguir: expressiva queda no número de estudantes no ensino médio.  De acordo com a reportagem, “A rede estadual paulista foi a que registrou percentualmente e em números absolutos a maior queda de matrículas, de 17%. O estado governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) tinha 1.514.428 alunos no ensino médio em 2024. O número caiu para 1.257.489 no ano passado. Uma perda de 256.939 matrículas na etapa.” Isto representa 2,5 vezes a média nacional,

Temos denunciado que o governo Tarcísio ampliou a exclusão de estudantes trabalhadores. Os números acima comprovam. Uma política educacional que atenda aos interesses dos filhos e filhas da classe trabalhadora, que são aqueles que realmente precisam da escola pública, não pode fechar classes e oportunidades e sim multiplicá-las.

Um adolescente, estudante do ensino médio, torna-se trabalhador para ajudar a família. Políticas como o pé-de-meia são fundamentais e conseguem resolver alguns casos, porém, nem sempre a família pode abrir mão do rendimento daquele adolescente. Ao se tornar trabalhador, ou realizar outro curso durante o período diurno, esse estudante – muitas vezes trabalhando na economia informa - necessita estudar à noite. E encontra salas fechadas.

Quando uma escola que possui o ensino médio e atende mais de mil estudantes, torna-se de ensino integral, muitas vezes desrespeitando a vontade expressa de sua comunidade, passa a atender apenas 1/3 deste número. Para onde vão os demais estudantes? Uma parte encontra vaga em escola próxima ou se dispõe a estudar mais distante da residência. Outra parte, porém, abandona os estudos.

A adolescência é uma fase da vida repleta de curiosidades e sede de saber. Os jovens sentem a necessidade de questionar, debater, desafiar. Faz parte de seu desenvolvimento como pessoa e também da definição de seus interesses, que podem definir seu futuro profissional. A energia dos jovens, a vontade de debater, o questionamento e a curiosidade, longe de serem sufocados e reprimidos, devem ser trabalhados para dinamizar o processo ensino-aprendizagem e enriquecer a aquisição de conhecimentos. O que propõe o governo Tarcísio? Militarizar as escolas. O currículo do ensino médio, que deve ser transdisciplinar e buscar a formação integral do estudante, como cidadão/cidadã, e não somente como trabalhador(a), está sendo truncado, esvaziado em relação às chamadas humanidades, e concentrado excessivamente em Português e Matemática, sem dúvida disciplinas fundamentais, mas que devem dialogar com as demais.

O autoritarismo vigente, as deficiências estruturais – escolas muito antigas e sem manutenção -, a falta de canais de participação onde o jovem possa efetivamente exercer seu protagonismo, currículos distantes de seus interesses reais e das especificidades de sua comunidade, falta de interrelação com a cultura, artes, esportes, tudo isso torna as escolas muitas vezes desinteressante para a juventude. Também é um fator que ajuda a explicar a evasão no ensino médio.

Muitas vezes dialoguei com a Secretaria Estadual da Educação que é necessário um processo efetivo de busca ativa. Não um procedimento limitado e burocrático feito por alguns funcionários da SEDUC, mas uma campanha ampla, com apelo social, para que aquele jovem que deixou os estudos sinta-se animado a voltar à escola. Mas se ele encontrar essa escola na mesma situação em que a deixou, provavelmente se manterá distante.
São desafios complexos. Governo e sociedade estão dispostos a enfrenta-los?

Professora Bebel é Deputada Estadual – PT e primeira Presidente interina da APEOESP.

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