VAI PESAR NO BOLSO!

Conta de luz pode subir até três vezes o IPCA; ENTENDA reajustes

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Energia mais cara: aumentos podem ultrapassar 13% em algumas distribuidoras.
Energia mais cara: aumentos podem ultrapassar 13% em algumas distribuidoras.

O brasileiro deve enfrentar um novo aperto no orçamento em 2026 com a elevação das contas de luz acima da inflação. Estimativas do setor elétrico apontam que os reajustes nas tarifas podem alcançar patamares até três vezes superiores ao IPCA previsto para o período, dependendo da distribuidora e da região atendida.

A projeção indica que, na média nacional, as tarifas de energia elétrica devem subir 7,64% no próximo ano. O percentual representa quase o dobro da inflação esperada para 2026, estimada em 3,99%, conforme o mercado financeiro.

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Onde os aumentos serão mais pesados

Em algumas concessionárias, o impacto será ainda maior. Distribuidoras que atuam em estados como Pernambuco, São Paulo e Ceará aparecem entre as que devem aplicar os reajustes mais elevados, com altas que variam entre 10% e 13%, superando com folga o índice inflacionário.

Esses percentuais colocam a conta de luz entre os itens com maior pressão sobre o custo de vida no próximo ano, especialmente para famílias de baixa renda e pequenos negócios.

O que explica a alta das tarifas

O aumento não está ligado a um único fator, mas a um conjunto de pressões estruturais no setor elétrico. Entre os principais motivos estão:

  • crescimento dos custos de geração de energia;
  • elevação das perdas no sistema, que incluem furtos e irregularidades;
  • aumento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo usado para bancar subsídios e políticas públicas do setor.

Esses custos são rateados entre todos os consumidores e acabam refletidos diretamente na fatura mensal.

Nem todo lugar terá aumento

Apesar do cenário geral de alta, algumas distribuidoras devem seguir na direção oposta em 2026. Empresas que atuam no Distrito Federal, Amazonas e Piauí aparecem com estimativas de redução nas tarifas, com quedas que podem chegar a quase 4%, dependendo da área de concessão.

Avanço das renováveis traz novos desafios

Além da pressão tarifária, o setor elétrico lida com problemas operacionais crescentes. A expansão acelerada das fontes solar e eólica, aliada ao crescimento da micro e minigeração distribuída, vem impondo limites ao sistema de transmissão.

Somente em 2025, a geração distribuída alcançou cerca de 44 mil megawatts, o equivalente a 17% da potência instalada no país. Esse avanço tem ampliado o chamado curtailment, quando parte da energia gerada precisa ser cortada por falta de demanda ou de infraestrutura para escoamento.

Energia desperdiçada e impacto no setor

Os cortes na produção renovável atingiram níveis elevados, com médias anuais superiores a 24% na geração solar e 18% na eólica. A tendência é de leve aumento desse problema em 2026, o que preocupa o setor por afetar a previsibilidade econômica e a atratividade de novos investimentos.

O cenário reforça a necessidade de soluções estruturais, como o avanço do armazenamento de energia e ajustes nos modelos de remuneração, para evitar desperdício de energia limpa e novos repasses de custos aos consumidores.

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