A demência, condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, pode estar mais ligada à rotina diária do que se imaginava. Pesquisas recentes conduzidas pela Universidade de Lund, na Suécia, indicam que aproximadamente 50% dos casos de demência estão associados a fatores modificáveis, principalmente relacionados ao estilo de vida e à saúde metabólica e cardiovascular.
O levantamento analisou a relação entre hábitos cotidianos e alterações cerebrais ligadas ao declínio cognitivo, observadas tanto na demência vascular quanto na doença de Alzheimer. Os resultados reforçam um alerta importante: cuidar do corpo ao longo da vida é também uma forma de proteger o cérebro.
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Doenças cardiovasculares no centro do problema
Problemas que afetam o coração e os vasos sanguíneos aparecem como alguns dos principais vilões da saúde cerebral. Hipertensão arterial e colesterol elevado, por exemplo, comprometem o fluxo de sangue no cérebro e favorecem lesões na substância branca, área essencial para a comunicação entre os neurônios.
Essas alterações estão diretamente associadas à demência vascular, uma das formas mais comuns da doença, especialmente em pessoas mais velhas.
Tabagismo acelera o declínio cognitivo
O hábito de fumar também surge como um fator de risco relevante. Substâncias tóxicas presentes no cigarro danificam os vasos sanguíneos e aumentam processos inflamatórios no organismo, o que contribui para alterações estruturais no cérebro ao longo dos anos.
Estudos apontam que fumantes têm maior propensão a desenvolver comprometimentos cognitivos quando comparados a não fumantes.
Diabetes e o impacto silencioso no cérebro
Outra condição que merece atenção é o diabetes. A doença foi associada a um maior acúmulo de proteínas como a beta-amiloide, conhecida por sua ligação direta com o Alzheimer. O descontrole da glicemia pode acelerar processos neurodegenerativos, muitas vezes antes mesmo do surgimento de sintomas claros.
Peso corporal também influencia
O índice de massa corporal (IMC) tem papel importante nessa equação. Pessoas com IMC muito baixo podem apresentar maior concentração de proteínas tóxicas no cérebro, o que favorece o declínio cognitivo precoce. O equilíbrio nutricional, portanto, é um fator-chave para a saúde mental a longo prazo.
Quando os fatores se somam, o risco aumenta
A combinação de doenças metabólicas, problemas cardiovasculares e hábitos pouco saudáveis potencializa ainda mais o risco de demência. Sedentarismo e alimentação inadequada contribuem para inflamações crônicas e prejuízos progressivos ao tecido cerebral.
Mudanças simples podem fazer diferença
Apesar dos números preocupantes, o estudo traz uma mensagem positiva: grande parte desses fatores pode ser controlada. Manter atividade física regular, adotar uma alimentação balanceada, controlar doenças crônicas, parar de fumar e acompanhar a saúde cardiovascular são medidas que ajudam a preservar as funções cognitivas e retardar o surgimento de sintomas.
Cuidar do cérebro começa muito antes da velhice, e pequenas escolhas diárias podem ter um impacto decisivo no futuro da saúde mental.