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VEJA como se destacar na busca por estágio em um mercado lotado

Por Bia Xavier - JP |
| Tempo de leitura: 3 min
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Conseguir um estágio no Brasil em 2026 exige muito mais do que preencher formulários online e anexar um currículo genérico. Em um mercado cada vez mais digitalizado e competitivo, a busca por vagas passa por uma transformação profunda, na qual estratégia, posicionamento e demonstração prática de habilidades ganham protagonismo.

A avaliação é de Virgilio Marques dos Santos, gestor de carreiras, PhD pela Unicamp e sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria. Para ele, a facilidade de se candidatar a dezenas de vagas com poucos cliques criou um efeito colateral perigoso: o excesso de candidatos invisíveis para os recrutadores.

“Hoje, o estudante não disputa uma vaga com algumas dezenas de pessoas, mas com milhares de perfis analisados primeiro por algoritmos. Antes mesmo de um ser humano olhar, boa parte das candidaturas já ficou pelo caminho”, explica.

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Plataformas ajudam, mas não resolvem

Segundo o especialista, os sistemas de recrutamento automatizados priorizam palavras-chave e critérios técnicos objetivos. Isso faz com que currículos pouco personalizados, enviados em massa, tenham baixíssima taxa de sucesso.

“O candidato acredita que está avançando porque se inscreveu em muitas vagas, mas, na prática, apenas repetiu um processo que o algoritmo descarta rapidamente”, afirma Santos. A recomendação é clara: tratar a candidatura online como um passo burocrático, não como o centro da estratégia.

O contato humano volta a ser decisivo

Em um cenário dominado por filtros digitais, a diferenciação acontece fora das plataformas. Identificar líderes de equipe, entender as demandas reais da área e demonstrar interesse direto nos desafios do negócio passou a ter peso relevante nos processos seletivos.

“Quando o estudante mostra que compreende o problema da empresa, ele deixa de ser apenas mais um currículo e passa a ser visto como alguém que pode contribuir”, resume o gestor.

Portfólio ganha espaço no lugar do discurso

Outra mudança estrutural está na forma de comprovar competências. Expressões genéricas e autodeclaratórias perderam força, abrindo espaço para portfólios práticos — inclusive para quem ainda não teve experiência formal.

Projetos próprios, estudos de caso, análises com dados públicos ou propostas de melhoria de processos são exemplos citados por Santos. “Um projeto concreto é evidência. Ele comunica muito mais do que páginas descrevendo qualidades”, destaca.

Inteligência artificial: vilã ou aliada?

A relação com a IA também se tornou um critério de avaliação. Para o especialista, empresas não procuram candidatos que ignorem tecnologia, mas tampouco valorizam quem depende exclusivamente dela.

“O diferencial está em usar ferramentas digitais para ganhar eficiência, mantendo pensamento crítico, capacidade analítica e boa comunicação. A combinação entre tecnologia e habilidades humanas é o que define o profissional competitivo”, avalia.

Entrevista não é interrogatório

Na etapa final, a postura do candidato pode ser decisiva. Santos recomenda abandonar o comportamento passivo e encarar a entrevista como uma conversa profissional.

“Quem estuda o setor, faz perguntas pertinentes e demonstra visão estratégica passa uma imagem completamente diferente de quem só quer ‘qualquer vaga’”, afirma.

Estratégia supera histórico acadêmico

Na leitura do especialista, notas e currículo acadêmico seguem importantes, mas não são mais suficientes por si só. O sucesso na busca por estágio está cada vez mais ligado à capacidade de se posicionar como alguém que resolve problemas.

“Quem insiste na lógica da tentativa e erro tende a ficar invisível. Já quem se apresenta como solução antes mesmo da contratação amplia muito suas chances”, conclui.

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