NOITE ESPECIAL

Piracicabano toca com The Killers para 50 mil pessoas: 'como se fosse minha banda'

Guitarrista de formação, Gabriel Bunho aprendeu a tocar bateria com o objetivo de subir ao palco com o grupo: 'achei que seria legal se conseguisse'

Por Roberto Gardinalli | 04/12/2023 | Tempo de leitura: 4 min
roberto.gardinalli@jpjornal.com.br

Arquivo Pessoal

Gabriel com os músicos da banda The Killers no palco do Primavera Sound
Gabriel com os músicos da banda The Killers no palco do Primavera Sound

Fãs de artistas famosos sonham em estar perto de quem os inspira e, se o fã for, também, músico, por que não sonhar em tocar com um artista que ele gosta? Foi exatamente isso o que aconteceu com Gabriel Bunho, músico de Piracicaba, no último sábado (2). Gabriel foi ao festival Primavera Sound em São Paulo e acabou como um dos protagonistas do show da banda The Killers, já que foi convidado para subir ao palco e ser o baterista da banda na música "For Reasons Unknown".

O convite foi feito pelo próprio vocalista da banda, Brandon Flowers, que avistou o cartaz de Gabriel em meio a multidão. Mas a realização desse desejo começou um ano antes, em outro festival. “Eu tinha ido ao GP Week no Allianz Parque no ano passado, no show deles, só que eu vi da arquibancada. Eles sempre chamam alguém para tocar a música que eu toquei. E naquele show, chamaram um rapaz e eu achei muito legal isso. Achei que seria legal se eu conseguisse”, contou. “Eu tinha começado a ouvir The Killers recentemente, um pouco antes do GP Week por causa da minha esposa”, disse.

A especialidade de Gabriel, porém, não é com as baquetas e o estilo que ele está acostumado a tocar também é bem longe do que o Killers toca. Guitarrista da banda de thrash metal piracicabana Exkil, ele decidiu aprender a tocar bateria já com a cabeça no palco do grupo norte-americano. “Eu peguei para fazer umas aulas, se não me engano, em outubro. Comecei a treinar os movimentos em casa mesmo, batendo em almofada, travesseiro, para me acostumar um pouco. Em novembro comecei a treinar na bateria de verdade, para sentir como é e poder aprender a música certinho para tocar lá”, contou o músico. Fiz também uns dois ensaios tocando sozinho com playback para sentir mesmo como era. Nas aulas, a gente tocava a música, mas tinha que ir parando para acertar os detalhes de cada parte. Não tive muito essa prática tocando a música direto. Por isso fiz o ensaio sozinho para treinar mais”, contou. “Inclusive o professor foi o baterista da Exkil, o Evandro. Então foi mais fácil, já sabia quem procurar, porque ele toca um absurdo. Eu sabia que ele seria uma pessoa que conseguiria me ajudar rápido”, disse.

O SHOW
Gabriel começou a prestar atenção em vídeos dos shows do The Killers para tentar entender como eles chamam os fãs para subir ao palco. Então, percebeu que a banda costuma chamar quem faz os cartazes mais criativos. “Eu não vi os outros mas  eu tenho a impressão de que eu fui o único que fez à mão e talvez por isso que ele escolheu. Essa é uma coisa que, vendo os outros vídeos, os outros shows, dá pra perceber que ele escolhe quem se dedica mais no cartaz, faz uma coisa diferente. E eu dei sorte que eu consegui chamar a atenção dele com o cartaz”, contou. No cartaz, Gabriel escreveu que "se o destino for gentil, serei o baterista nesta noite".

Assim que conseguiu chamar a atenção da banda, era a hora de marcar presença. Mesmo com 50 mil pessoas olhando atentamente para o palco, Gabriel não se intimidou e deu seu melhor. “Eu não estava nervoso por conta da quantidade de pessoas, só estava pensando ‘eu não sou baterista, tem chance de dar alguma coisa errada. Mas eu vou tentar fazer o meu melhor aqui para manter a música correndo, sem travar, nem nada’”, contou. “Mas também, por eu não ser baterista, o arranjo que eu toquei, é um pouco mais simples. Ele é mais seguindo a versão de estúdio. Depois, comparando com outros shows, os caras que sobem lá claramente são bateristas há muito mais tempo. Então eles têm a manha, conseguem colocar uma identidade melhor na música. Mas, tirando isso, foi sensacional. Como eu tenho banda, toco há um tempo já, então essa parte de nervosismo em cima do palco me ajudou. Mas é um sonho tocar para tanta gente assim. Eu espero um dia conseguir com a minha banda também”, completou.

Gabriel conta, também, que se sentiu à vontade dividindo o palco com os músicos, que são mundialmente conhecidos. E mesmo tendo trocado apenas algumas palavras com eles, sentiu entrosamento e percebeu a energia e o gosto da banda em tocar no Brasil. “Eu acho que quem é músico entende um pouco dessa sensação, porque você consegue se comunicar com as outras pessoas sem falar nada. Eu não me senti intimidado, pensei que isso poderia acontecer também, mas percebi que, quando você sobe no palco com eles, estão no mesmo nível. É como se fosse o pessoal da sua banda”, finalizou.

O The Killers iniciou a carreira em 2001, na cidade de Las Vegas, e é formado pelo vocalista Brandon Flowers, o guitarrista Dave Keuning, o baterista Ronnie Vannucci e o baixista Mark Stoermer. A banda é dona de hits como Mr. Brightside, Somebody Told Me, When You Were Young e For Reasons Unknown. A banda já gravou sete álbuns de estúdio.

 

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2 COMENTÁRIOS

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  • Fernando José Martins Bunho
    19/12/2023
    Esse garoto é meu filho, muito orgulho dele conseguir realizar um sonho que foi muito bem planejado. Voces poderiam conseguir a gravação completa pra gente guardar pra sempre.
  • Andrea Silva
    04/12/2023
    Muito bom! Piracicaba tem muitos talentos que precisam ser reconhecidos, parabéns ao garoto e que tenha um futuro brilhante!