Acordar, ir para o trabalho, voltar para a casa e se preparar para um novo dia. Uma rotina que, de tão comum no dia a dia dos brasileiros, se torna automática e, por vezes, faz as pessoas esquecerem que acidentes podem acontecer durante a atividade profissional. E quando acontecem, os acidentes de trabalho chocam as pessoas, próximas ou não à vítima. E chamam ainda mais a atenção quando o resultado é o óbito do trabalhador. Em três anos, 19 trabalhadores morreram durante suas atividades em Piracicaba, segundo dados do Observatório de Saúde e Segurança no Trabalho.
Em 2023, Piracicaba registrou duas mortes resultantes de acidentes de trabalho. No dia 13 de março, um operário de 47 anos morreu em um acidente com um elevador em um hotel. O homem, que fazia a manutenção, foi prensado pelo equipamento. Ele morreu no local. Antes disso, em 8 de fevereiro, um funcionário de uma empresa especializada em caldeiras morreu após um acidente. A vítima teria sido atingida por uma peça. Apesar dos registros, 2023, até o momento, apresenta tendência de queda no número de mortes em decorrência de acidentes de trabalho com relação a anos anteriores.
Em 2020, quatro óbitos de trabalhadores foram registrados. Em 2021, foram sete e, em 2022, seis registros. Com relação aos acidentes, em 2020, 2.524 ocorrências foram notificadas. Em 2021, o número subiu para 3.092 e em 2022, 3.538. A base de dados aponta ainda que a estimativa é a de que outros 136 acidentes aconteceram em 2020, mas não foram notificados. Em 2021, 330 casos teriam acontecido sem o registro formal e, em 2022, 499. Os dados do Observatório tem como base levantamento do INSS. O total de 2023 ainda não está disponível.
Para prevenir os acidentes fatais, com o objetivo de chegar a zero ocorrências, será inaugurado hoje (17) o CPAT (Comitê de Prevenção de Acidentes de Trabalho Fatais), durante a 25ª Sempat (Semana Municipal de Prevenção de Acidentes de Trabalho). A iniciativa é do Ministério Público do Trabalho, Cerest (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador) Piracicaba, Cerest Estadual, USP (Universidade de São Paulo) e outras instituições. O objetivo do comitê é debater e criar ações de prevenção de acidentes de trabalho junto com representantes de classe, empregadores e órgãos de garantia do direito ao trabalho seguro.
“O CPAT trará à mesa os conhecimentos técnicos e práticos de instituições, empresas e entidades sindicais, com a finalidade de contribuir para a elucidação das causas dos acidentes de trabalho e para a elaboração de formas de intervenção de maneira conjunta”, pontua o procurador Mário Antônio Gomes.
“O comitê foi construído ao longo da história. Quando buscávamos melhorias nos processos de notificações de acidentes de trabalho na região de Piracicaba, iniciamos ações de articulação no projeto Zero Óbito junto a trabalhadores, empresas, vigilâncias e instituições, sempre com o objetivo de gerar iniciativas de prevenção. Então percebemos que o diálogo social trouxe grandes benefícios, pois apenas através da comunicação entre as partes foi possível antecipar e prevenir a ocorrência de acidentes de trabalho. Debater sobre os acidentes enriquece todas as instituições, visto que a morte no trabalho é inaceitável”, explica Alessandro Silva, técnico do Cerest Piracicaba.