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Sob influência do El Niño, inverno deve ser mais quente que o normal em Piracicaba

Por Roberto Gardinalli | roberto.gardinalli@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 2 min
Claudinho Coradini/JP

O inverno, estação mais fria do ano, começa amanhã (21) no Brasil, com final em setembro. No período, os raios solares deixam de incidir diretamente sobre o Hemisfério Sul, o que faz com que as temperaturas caiam. Porém, em 2023, meteorologistas já apontam que a tendência é da estação ser mais quente e chuvosa do que o normal nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

Na região de Piracicaba, o primeiro dia do inverno deve ter temperaturas que variam entre 10°C e 26°C, segundo a previsão do tempo do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). A tendência é de aumento até o fim de semana. O céu deve se manter coberto por nuvens e pode haver nevoeiro. Não há previsão de chuva para a semana. De acordo com o meteorologista Bruno Bainy, do Cepagri-Unicamp, as temperaturas devem ser, pelo menos, 1,5°C acima do normal para a época. O que, segundo o especialista, pode gerar ondas de calor nos próximos meses.

“A quantificação dessas anomalias de temperatura para o sudeste do país, nas regiões de Campinas, Limeira, Piracicaba, é que as temperaturas devem ficar em torno de 1,5°C acima da climatologia. Isso pode não parecer muita coisa, mas, a longo prazo, isso geralmente sugere a ocorrência de episódios muito quentes, possivelmente ondas de calor, que mais provavelmente devem ocorrer em agosto”, disse. “A projeção é a de que vamos ter um inverno mais quente e que isso deve se prolongar pelo menos até a primavera”, completou. 

EL NIÑO

Uma das causas para o tempo mais quente no inverno é o El Niño. Bainy explica que, como característica, o fenômeno tende a deixar as estações mais quentes. “De forma sistematizada, no sudeste brasileiro ele deixa tanto o inverno quanto o verão em temperaturas acima da média. Pensando no inverno, o El Niño dificulta a passagem de sistemas frontais frios pela região. Então, eles chegam com menos intensidade, com uma trajetória mais litorânea, ou chegam até a divisa do Paraná, avançam um pouco em São Paulo”, comentou. “Consequentemente, a entrada de ar frio pós-frontal é mais marginal. Tem aquele impacto pequeno, breve, tem um pequeno declínio nas temperaturas, que dura pouco tempo”, completou.

Com relação às chuvas, porém, o meteorologista explica que as chuvas devem se manter dentro da média para a estação. “As maiores probabilidades é que as chuvas devam ficar em torno da média, talvez um pouco abaixo. É claro que essa época é a mais seca do ano. As chuvas voltam a acontecer com maiores acumulados a partir de setembro, mas os indicativos até lá são de que as chuvas devam ficar em torno ou um pouco abaixo da média”, disse.

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