FEBRE MACULOSA

Saiba quais são as áreas mais propensas à presença de carrapato-estrela em Piracicaba

Por Roberto Gardinalli | roberto.gardinalli@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 3 min
Claudinho Coradini/JP

A SMS (Secretaria Municipal de Saúde) de Piracicaba informou que as margens do rio Piracicaba, do bairro Monte Alegre até Ártemis, ribeirão Piracicamirim, córrego Guamiun, lagoa do Santa Rita e margem do rio Corumbataí são as regiões identificadas como maior risco de contaminação pela febre maculosa. Segundo o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), o risco na área acontece por conta da presença de capivaras, principal hospedeira do carrapato-estrela, que transmite a doença.

Piracicaba foi citada pela Secretaria Estadual de Saúde como um dos locais de risco para a contaminação da febre maculosa, após surto da doença que começou em uma fazenda na cidade de Campinas. Pelo menos quatro pessoas que estiveram no local já morreram desde o início do surto. Piracicaba foi incluída na lista de locais de risco por conta dos rios e da vegetação, que são o habitat natural tanto das capivaras quanto dos carrapatos. Apesar disso, em 2023, nenhum caso de febre maculosa foi registrado na cidade, segundo informações da SMS. “O período de maior incidência da febre maculosa no Estado de São Paulo começou em maio e segue até setembro, porém, em Piracicaba é diferente já que os casos podem surgir durante todo ano”, explicou a bióloga do CCZ, Regina Lex Engel.

“Isso porque temos fatores que contribuem para isso, como o rio que corta a cidade e isso exige ainda mais cuidado tanto da população quanto do poder público. O rio é considerado cartão-postal da cidade, atraindo muitos piracicabanos e turistas às suas margens o que é normal por sua beleza, no entanto, o local também é o preferido das capivaras, um dos principais hospedeiros do carrapato-estrela, por isso o CCZ mantém placas de alertas da presença do carrapato e da doença, além de manter diversas ações de orientação e conscientização da população durante o ano todo, de forma ininterrupta", afirma a bióloga.

Mesmo com a situação controlada na cidade, não é possível fazer o controle dos carrapatos na região. Segundo o professor Carlos Perez, membro da Comissão permanente da febre maculosa da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), o controle é difícil porque a região de Piracicaba é considerada endêmica para doenças transmitidas por carrapatos, além de questões legais envolvendo animais silvestres. “Nós vivemos numa região endêmica para a doença. Os carrapatos e os hospedeiros, sendo o principal a capivara, multiplicador do patógeno. A lei protege a fauna silvestre, portanto, não é possível controlar”, explicou. Segundo Perez, para evitar a maior chance de contágio, a população deve ficar atenta a algumas características dos locais de risco. “Beiras de rios, lagoas e presença de fezes de capivaras são indicativos de que pode haver a presença do carrapato-estrela. Apenas cerca de 1% da população de carrapatos está doente, mas em uma hora de caminhada, a pessoa pode pegar milhares de carrapatos, o que aumenta a chance de transimissão”, completou.

MEDIDAS

Ainda de acordo com o professor da Esalq, algumas medidas do poder público podem ajudar a diminuir os riscos de contaminação pela doença. “O poder público pode Informar a população e alertar as pessoas para evitar programas de lazer em áreas silvestres, pelo menos nos meses entre outono e inverno e parte da primavera”, disse. “Nessa época é quando ocorre a forma jovem do carrapato-estrela, principal transmissor da doença”, completou. Além disso, a recomendação é para que, no caso de suspeita de picada ou presença de sintomas, a pessoa deve procurar imediatamente por atendimento médico. “O público deve ir ao posto de saúde ao sentir os primeiros sintomas, já que a evolução da doença é muito rápida”, completou.

A SMS recomenda, também, que, caso a pessoa encontre carrapatos pelo corpo, ela deve tirá-lo com uma pinça e não esmagar o animal. Depois disso, a área da picada deve ser lavada com água e sabão ou álcool. Por fim, é recomendado que as roupas usadas nas áreas de risco devem ser colocadas em água fervente.

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