SUPERAÇÃO

Música, dança flamenca e amizade com professora ampliam o mundo de Ana Beatriz

Por Beto Silva | Jornal de Piracicaba
| Tempo de leitura: 2 min
Alessandro Maschio/JP
Nicoli e Ana Beatriz, professora e aluna superam desafios juntas
Nicoli e Ana Beatriz, professora e aluna superam desafios juntas

Em apenas três meses de aulas de dança flamenca, a vida da pequena Ana Beatriz Ferreo, dez anos, mudou para melhor. A constatação é da mãe da garota, a dona de casa Silvia Ferrero, que se orgulha do exemplo de superação e força de vontade da filha, que tem surdez bilateral severa. Segundo a mãe, o contato com a música e a dança, aliado à amizade com a professora Nicoli Ayres, trouxeram um novo ritmo à vida de Ana Beatriz.

“Na última reunião da escola a professora e a intérprete disseram que ela havia evoluído nas disciplinas e que estava interagindo mais com os colegas, algo que antes ela não fazia, ficava mais isolada na escola”, revela

Segundo Silvia, em outra reunião, a escola apontou que a filha estava com várias dificuldades: de atenção, concentração, de aprendizagem, além de se expressar e de se socializar. “Sugeriram terapias convencionais. Mas eu achei que poderia ser mais interessante a dança e como flamenco tem uma batida forte, sonora de palmas e pés eu achei que para ela, que é surda, seria melhor que outras danças. Ela também adora dançar”, lembra. Definida a dança como terapia, era preciso agora encontrar uma escola que atendesse às necessidades de Ana.

Foi nesse momento, que entrou em cena, na vida da garota, a professora Nicoli, da Alumbre Escola de Flamenco. “Dar aula para uma criança com deficiência auditiva foi o maior desafio da minha carreira”, revela a professora que está aprendendo Libras para melhor se comunicar com a aluna. “Até para explicar para ela as capacidades físicas, os ritmos, pouco a pouco eu vou aprendendo e me comunicando”, explicou. “Ela é um grande exemplo para mim e está sendo muito bom trabalhar com a Bia”, acrescenta orgulhosa. Na prática, conta Nicoli, a referência de Ana Beatriz, é a visão, ela vai me acompanhando e tem a vibração, eu trabalho muito com a parte de percussão corporal, como palmas, bater nas pernas, bater o pé no chão e assim ela usa um pouco da vibração”, conta.

A mãe de Ana Beatriz disse que percebe mudanças no comportamento da filha quando ela volta das aulas. “Eu percebi que ela gosta de se olhar no espelho e repetir os movimentos que aprendeu. Ela se sente bonita com as saias e os sapatos de dança. E gosta de ver os vídeos que a Nicoli grava nas aulas. Eu observo que ela se sente bonita e capaz de fazer algo que ela sabia que outras pessoas faziam, mas que ela não sabia ser possível fazer também”, revela.

“A Nicoli é muito amorosa e paciente, mas também exige disciplina e isso tem feito a minha filha se dedicar mais às atividades”, acrescenta.

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