A penúltima reunião de 2022 dos membros da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Propina da Câmara de Campinas terminou em discussão acalorada entre os vereadores. Isso porque Paolla Miguel (PT) disse que a comissão não está fazendo o trabalho como gostaria e insinuou que alguns parlamentares não estão preocupados com isso. Os vereadores rebateram e acusaram Paolla de usar a CPI como palanque político.
O embate começou com a recusa do ex-subsecretário de Relações Institucionais da Casa, Rafael Creato, para prestar depoimento. Paolla afirmou que isso era esperado, e que a comissão foi lenta. "Eu quero começar dizendo que estou muito preocupada com os rumos que estamos tomando, apesar de saber da importância do trabalho da CPI. Temos buscado a verdade trazendo fatos e contribuindo como fato histórico. Mas me preocupa como vem sendo conduzido e que isso possa colocar em risco a nossa missão. Desde o começo, afirmamos que não poderia resumir as reuniões da CPI nestas reuniões semanais", comentou.
Além disso, a vereadora afirmou que a comissão está se apequenando e se tornando burocrática, não cumprindo o papel essencial para qual foi criada. "Começando com depoimentos que se mostraram equivocados e tirando nosso foco daqui. E quando esboçamos uma guinada ao rumo adequado, nós fomos surpreendidos pelo óbvio. A decisão esperada de não vir [de Rafael Creato] não teve uma intervenção adequada desta que comissão, que está sendo lenta, burocrática e que jogou a toalha para o ano que vem", continuou.
O vereador Major Jaime (PP) foi o primeiro a rebater Paolla. "Eu não concordo com o que você falou. Isso aqui não é palanque político trazendo um discurso pronto. Aqui todo mundo debate e é ouvido e não aceito que você fale desta forma. Isso aqui não é para fazer política. Alguns depoimentos contribuirão mais e outros menos, mas foram importantes. Eu lamento precisar falar isso publicamente", disse.
Na sequência, Luiz Cirilo (PSDB) afirmou estar surpreso das críticas vindo da vereadora, já que, segundo ele, é um exemplo de uma condução não esperada dentro da CPI. "A vereadora Paolla Miguel faz críticas duras à CPI como se ela fosse um exemplo. Na maioria das vezes ela chegou atrasada. E tem outro detalhe. Sua sugestões sempre foram colocadas para que nós deliberássemos. E ela sugere pouco. Ela veio com discurso pronto como podemos ver. Talvez ela esteja falando dela mesmo quando diz que tem sido feito pouco. Eu não faltei a nenhum ato, faço questionamentos. Criticar a CPI já antevendo um final, seja na tribuna, na imprensa ou ela quiser, significa que talvez ela esteja fazendo uma autoanálise", comentou.
O presidente da CPI, Paulo Gaspar (Novo), disse que Paolla está entre os membros para 'jogar contra' e disse que ela não é participativa. "Você joga contra desde o início e cometeu irregularidades desde o início perante o Ministério Público. Enfim, quero parar por aqui. Temos um espaço para discutir isso, no qual você nem é participativa", afirmou.
No final das contas, a CPI decidiu reconvocar Rafael Crato para o ano que vem e na próxima semana deliberou que vai ouvir o assessor de imprensa da Câmara Dario de Barros Carvalho, responsável pela fiscalização do contrato da TV Câmara.