ASSINANTE OURO

Maria Virgínia: 73 anos de assinatura do JP e memórias para relembrar

Por Fernanda Rizzi | Jornal de Piracicaba
| Tempo de leitura: 4 min
Alessandro Maschio/JP

Maria Virgínia Rizzi Pezzato está prestes a completar 99 anos em março do próximo ano e, atualmente, é uma das assinantes mais antigas do Jornal de Piracicaba. Desde 1949, ela recebe o jornal impresso em sua casa e, neste mês, chega aos 73 anos de assinatura. Essa longa trajetória também traz momentos marcantes e especiais. 

“Não me recordo exatamente se assinei no dia 4 ou 5 de dezembro, mas sei que foi um desses dias porque uma de minhas filhas nasceu em um domingo e, na segunda-feira, meu marido foi registrá-la e trouxe uma edição do jornal”, conta Maria. 

Na época, Maria tinha acabado de se casar. Durante a infância conviveu com dez irmãos e sempre foi uma disputa para ler o jornal em casa, então, quando se casou, sentiu que faltava alguma coisa em sua vida: um jornal impresso.

Apaixonada por jornais e pela leitura, conta que o Jornal de Piracicaba era o predominante da cidade. Maria Virgínia relembra de um momento que a marcou muito: “O Jornal fez uma campanha que o assinante ouro pagava uma quantia e recebia o jornal pago durante cinco anos. Eu e uma amiga fomos nessa e eu até brinquei: “se eu morrer, o jornal já está pago”. Então, em um velório encontrei a Antonieta Rosalina Cunha Losso Pedroso e conversei com ela sobre o assinante ouro. Ela me deu algumas cutucadas, mas na época não percebi. Eu gostava muito da colunista Libânia e, no outro dia, ela fez um artigo sobre o assinante ouro e foi então que eu descobri que a Libânia era a Antonieta, ela usava um pseudônimo”, conta a leitora. 

Ela lembra até hoje da matéria da queda do Edifício Luiz de Queiroz, popularmente conhecido como Comurba, que ocorreu em 1964. “A minha filha mais velha estudava no Colégio Piracicabano e eu fiquei apreensiva, pois eu sabia que durante os intervalos e após as aulas ela ia ao cinema lá. Fiquei sabendo pelo jornal e pelo rádio na época”, relembra. 

Além disso, a senhora quase centenária, tem uma forma atípica de ler o jornal: de trás para frente. Ela admite que não entende muito bem o motivo, mas adora ler a editoria de Esportes, devido à sua paixão pelo Palmeiras e XV de Piracicaba. “O Jornal de Piracicaba é excelente para mim. Eu gosto de acompanhar muito esporte porque eu gosto. Política eu já não gosto”, explica. 

Mesmo que os tempos modernos exijam mais conhecimento sobre a tecnologia e, que, a informação possa ser acessada facilmente em qualquer lugar, sua paixão pela leitura não a permite deixar os jornais impressos de lado. “Eu sou muito atrasada nesse ponto, não gosto desse avanço. Minhas filhas queriam que eu comprasse celular, mas eu não quis. Me deram um e falaram que eu deveria aprender, eu falei que não queria. O meu celular fica em cima da mesa e eu só atendo quando elas ligam. Eu sei apenas mexer para atender”, confessa ela. 

Hoje, viúva há 35 anos, a nossa assinante ouro é mãe de quatro filhos já aposentados: Regina, Dalva, Ésio e Maria Helena Pezzato; avó de seis netos: Alex, Tati, Thales, Ésio e Thaís; e tem dois bisnetos: Augusto e Helena. 

Seu filho Ésio Pezzato trabalhou no Jornal de Piracicaba entre 1972 e 1974, onde publicou mais de mil poemas, o que foi um grande orgulho para a mãe.  

Nascida e criada no Bairro Alto, Maria Virgínia Rizzi Pezzato conta que teve uma vida boa: foi voluntária desde os 15 anos na Escola de Mães, considerada como a sua segunda casa, onde frequentou até antes de pandemia do Covid-19. Fora o amor pela instituição, teve outras alegrias, como mexer em seu quintal para plantar e cavoucar, ir ao varejão de sábado para encontrar suas amigas e viajar. 

“Há um ano fui presenteada com uma trombose. Eu mexia no meu quintal e tudo, de repente uma coceira no meu dedão, fui ao hospital e o médico falou que eu teria que cortar o dedo, mas foi metade do pé. Fez um ano em agosto”, conta sobre a dureza em receber a notícia. “Sou grata pelos meus filhos. Os quatro estão aposentados, então me ajudam muito. Foram os anos bons da minha vida. Essas coisas me fazem falta, mas tudo tem um fim nesse mundo”, finaliza ela.

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