Documento didático é apartidário e defende posição perante pobres e engajamento de jovens
Independente de religião e qual bandeira política defenda o eleitor, vale a pena a leitura da Cartilha de Orientação Política 2022 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). O documento, totalmente didático, é apartidário e traz informações importantes sobre o processo eleitoral brasileiro. E mais: ajuda o cidadão a detectar quais qualidades devem ter os candidatos.
Este ano, o primeiro turno das eleições ocorre em 2 de outubro, quando escolheremos presidente, governador, senador, deputados estadual e federal. Se houver segundo turno, o pleito acontecerá em 30 de outubro. A cartilha da CNBB explica a função de cada político e de cada poder – Executivo, Legislativo e Judiciário. Muita gente, não sabe, por exemplo, as prerrogativas do Senado, que é considerado a Câmara Alta do Poder Legislativo Federal. “E diferente de todos os outros cargos públicos, o mandato dos senadores é de oito anos, porém as eleições para o Senado acontecem a cada quatro anos. Sendo assim, a cada eleição o Senado renova um ou dois terços de suas 81 cadeiras. Essas cadeiras são preenchidas por três senadores de cada estado e do Distrito Federal”, cita o documento.
As fake news também são tratadas na cartilha, orientando o eleitor como identificar quando uma notícia é falsa e a não disseminar os textos nas redes sociais: “na dúvida, não compartilhe”.
Também é orientado o que é corrupção (“é da politicagem que vem a corrupção”), como detectá-la e, ainda, que a legislação proíbe propaganda eleitoral em qualquer local público ou particular que seja equiparado a público, pelo grande movimento de pessoas, como por exemplo: estádios de futebol, supermercados, casas comerciais, estacionamentos e igrejas.
CARIDADE
Boa parte da cartilha traz informações sobre responsabilidade social dos candidatos e quais qualidades devem ser observadas pelos eleitores ao escolher os políticos que vão lhe representar nos cargos públicos. Entre elas, o caráter, a competência para administrar sua função e que seja defensor da vida e dos menos favorecidos. “A missão primordial de um bom político é cuidar da fragilidade do seu povo e das pessoas, sem infantilizá-las. O Papa Francisco disse a políticos em sua visita à República Centro-Africana (2015): ‘que tudo se faça para tutelar a condição e a dignidade da pessoa humana’. Aqui, o eleitor tem um importante critério para considerar ao escolher um candidato. Verificar se, em sua vida pública, em seu projeto de governo, há preocupação com os mais pobres, com os graves problemas sociais, que foram potencializados nesse tempo de pandemia. O político está a serviço do bem comum de todos e não somente de um grupo”, enfatiza a CNBB.
JOVEM
O incentivo à participação do jovem na política também é encontrado na cartilha. “Todo jovem que busca ser protagonista da própria vida e comprometer-se com um mundo mais justo e fraterno deveria interessar-se pela política, especialmente, pelo momento eleitoral. Isso se faz com escolhas conscientes e bem feitas.
Por fim, a cartilha é explícita ao defender que o cidadão participe ativamente da vida política, não necessariamente pela via partidária, mas como um fiscalizador dos seus direitos. “Para a igreja, a participação política dos fiéis leigos é muito importante, além de ser uma obrigação moral”, cita o documento.
Nani Camargo
Especial para o JP
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