Com pai doente em casa, valor da energia aumenta e família entra em dificuldade financeira

Por Rafael Fioravanti |
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O piracicabano Ricardo Nogueira tem passado por uma grande dificuldade financeira. Seu pai, Paulo, de 70 anos, sofre de uma doença pulmonar grave e precisa, por recomendação médica, estar 15 horas por dia utilizando um cilindro de oxigênio. Com isso, a conta de energia da casa encareceu demais e saiu do orçamento da família.

"Meu pai sofre de pneumonia hipersensível. Todo pulmão é inflável, porém a doença transformou os pulmões do meu pai em algo similar a uma bola de capotão enrijecida, o que faz com que tenha capacidade pulmonar de apenas 8%", explica Nogueira.

A doença é crônica e o tratamento vem sendo feito pelo SUS. Além dos remédios a base de corticóide, que Nogueira pega para seu pai em farmácias populares, a família arca ainda com um custo de R$ 400 por mês no aluguel do cilindro de oxigênio. Esse tem sido o maior problema. Como há necessidade de o cilindro ficar 15 horas diárias ligado, a conta de energia teve um aumento de 33,3%.

"Está tudo muito caro. Nós moramos de aluguel, eu estou desempregado, não temos imóvel próprio e tivemos que vender nosso carro para conseguir comprar os medicamentos e pagar a mensalidade do aluguel do cilindro de oxigênio. Além de todos esses gastos, esse aumento na conta de luz tem dificultado muito para nós. Pode parecer pouco, mas se colocarmos tudo na ponta do lápis, estamos passando por uma dificuldade enorme", comenta Nogueira.

A família entrou em contato com a CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz), porém recebeu a informação de que o abatimento no valor só poderia ser feito se a família recebesse o bolsa-família.

"Estamos sofrendo bastante", finaliza.

O OUTRO LADO

A CPFL Paulista entrou em contato com a família. "A companhia esclarece que conforme o órgão regulador: Clientes com UTI Domiciliar - ou quaisquer equipamentos elétricos necessários para tratamento de saúde - devem se cadastrar na CPFL. Estes clientes passam a ter alguns diferenciais no atendimento da CPFL. Um dos diferenciais é a priorização para o restabelecimento da energia em caso de desligamentos emergenciais (como devido a temporais). O termo “UTI Domiciliar” abrange uma variedade de situações, como os próprios casos de terapia intensiva em casa, o uso de cilindros de oxigênio, etc. O cadastro de UTI Domiciliar é feito somente para o imóvel em que está o paciente com os aparelhos ligados. O cliente cadastrado também recebe avisos personalizados sobre desligamentos programados previstos para a sua região. Esses desligamentos são necessários para obras de melhorias na rede elétrica. Os avisos antecipados permitem a programação da família e mesmo da distribuidora. Outro diferencial é que a CPFL não fará, ao menos enquanto durar o uso dos equipamentos elétricos vitais, qualquer ação de corte comercial de energia (como por inadimplência), mas a condição não isenta o cliente dos pagamentos das contas. As ações de cobrança para os débitos vencidos em aberto ocorrem normalmente", diz a nota.

Cilindro de oxigênio tem custo de R$ 400 por mês à família. Foto: Alessandro Maschio/JP

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