Escola é uma das listadas para a recuperação judicial da Unimep
O fim de semana foi de intensa movimentação nas redes sociais e em contatos pessoais entre músicos, ex-alunos e ex-professores da Empem (Escola de Música de Piracicaba Maestro Ernst Mahle). Depois de tomarem conhecimento da possibilidade de perda do prédio da instituição, envolvido no processo de recuperação judicial da Rede Metodista como imóvel disponível para negociação de dívidas e débitos tributários, a reação veio forte. E como primeiro resultado prático, será organizado um concerto neste sábado (27), a partir das 16h, diante do prédio ameaçado, como forma de protesto e de maior visibilidade à luta que pretende barrar a intenção dos metodistas.
Além disso, um abaixo assinado está sendo articulado para envio aos gestores metodistas no sentido de alertar para a necessidade de preservação desta área.
Júlio Amstalden, um dos organizadores do concerto e ex-aluno e ex-professor da Escola de Música, explica que a possibilidade da venda representa um imenso empobrecimento para Piracicaba. “Vivemos um momento no qual a cultura e a educação se precarizam em todo o território nacional, de modo que a iminência da perda da Empem se configura como mais um descalabro nesse sentido”, comenta o músico.
“Há que se levar em conta que a instituição possui um valor simbólico e afetivo muito grande para a cidade, bem como que o que foi desenvolvido nela tem raízes na própria história cultural de Piracicaba”, completa.
REDE METODISTA
Envolvidas em processo de recuperação que tramita na Justiça desde 2021, as escolas metodistas existentes no País devem hoje, segundo documentos do próprio processo, mais de R$ 1 bilhão em débitos extra concursais. Os maiores credores são professores, ex-professores, funcionários e ex-funcionários destas instituições. No total, há 10.891 credores reclamando valores não pagos por seu trabalho, fornecimento de mercadorias, impostos não recolhidos.
Nas propostas para se equacionar o problema, a Rede Metodista de Educação, além de se comprometer a adequar custos, listou uma série de imóveis disponíveis para venda ou negociação. Somente na última versão do plano, entretanto, é que se incluiu como alternativa o prédio da Escola de Música de Piracicaba. Explica-se: a instituição foi incorporada ao Instituto Educacional Piracicabano – mantenedor da Unimep e do Colégio Piracicabano – em 1998, no sentido de garantir a preservação da cultura, do ensino da música e dos objetivos traçados desde a fundação da Escola, pelo casal Mahle, em 1953.
A UNIMEP
Em nota ao JP, a assessoria da Unimep frisou que é uma das instituições listadas para a venda da Rede Metodista e alegou que há planos de modernização dos espaços e maior sinergia entre os mesmos. “Nossa história fala por si, somos núcleo de referência, formando gerações de profissionais capacitados. É o momento de estarmos antenados com a nova ordem mundial, em ambientes tecnológicos e revitalizados e, acima de tudo, agregando valores, mas criando novas perspectivas que honrem a nossa tradição. Desta forma, as atividades das instituições continuam hígidas [salutares]”, informou a assessoria.
“Ocorre que, em virtude do cenário atual, a otimização dos espaços é medida de ordem organizacional inadiável. O processo de disponibilização e readequação de espaços é premente nesse momento. É certo que o sucesso da Recuperação Judicial e pagamento dos credores também dependem da reestruturação das unidades, buscando a necessária sustentabilidade financeira para garantir a perpetuação das nossas atividades”, finaliza.
Fernanda Rizzi
fernanda.rizzi@jpjornal.com.br
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