Criador dos extintos Corais Universitários da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) e figura importante na cultura do município, o músico Umberto Cantoni morreu aos 92 anos, na manhã desta sexta-feira (17), vítima da covid-19. O sepultamento foi realizado às 14h. Ele deixa a sua espora Vera Quintanilha Cantoni e seus três filhos: Maurício, Fabiana e Flávia Cantoni.
Segundo Julio Amstalden, amigo de longa data de Umberto, ele já estava vivenciando um processo natural de senilidade e enfraquecimento. Tinha dificuldades para falar e se alimentava por sonda e, ao contrair o vírus da covid-19, não resistiu.
“Ele foi bastante pró-ativo e muito entusiasmado. Costumava dizer que a arte era redentora. Envolvia-se e envolvia o canto do coral com as causas defendidas pela Unimep: a defesa das crianças em situação de rua, a defesa das lutas dos empobrecidos, os debates a respeito dos preconceitos raciais, o diálogo ecumênico, a valorização da cultura local e regional, as grandes questões de justiça social, a ditadura e as eleições diretas”, relata Amstalden, que teve a oportunidade de conhecê-lo ainda na adolescência, e foi assim que nasceu uma amizade entre aluno e professor.
TRAJETÓRIA
Natural de Franca, Umberto Cantoni foi tradutor, poeta, regente de coral e professor. Formou-se em música na cidade de São Paulo. Regeu o coro da Igreja Metodista Central e o Coral Evangélico em São Paulo, na década de 1960. Em 1980, a convite do então reitor Elias Boaventura, passou a atuar Unimep. Neste período, divulgou o nome da instituição e de Piracicaba através de inúmeras apresentações do Coral Universitário pelo Brasil e exterior. Em 1987, auxiliou a criação do Núcleo Universitário de Cultura, que envolveu o teatro e o cinema como forma de educar e envolver-se com a cultura do município.
Criou o Coral Evangélico de Piracicaba e do Festival Nacional de Canto de Águas de São Pedro. Trabalhou por 22 anos ininterruptos na Unimep até aposentar-se em 2002.
Fernanda Rizzi
fernanda.rizzi@jpjornal.com.br
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