Março é o mês de prevenção contra doenças renais; saiba quais delas podem acometer cães e gatos

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 3 min

Por regra, 3 em cada 10 gatos e 1 em cada 10 cães sofrem consequências de complicações nos rins

O mês de março é reservado para a conscientização e prevenção das doenças renais em humanos e, apesar de não ser um tema debatido com a frequência necessária, este problema também é grave e merece atenção no caso dos animais, uma vez que as complicações ligadas ao rim estão entre as principais causas de mortalidade entre gatos e cachorros. A médica veterinária com atuação em nefrologia e urologia, Debora Rotenberg, faz um alerta especial para algumas raças específicas que nascem com maior chance de desenvolver problemas futuros por questões genéticas.

“Nos gatos, os persas são os principais acometidos pela doença renal policística. Já no caso dos cachorros, shih-tzu, lhasa apso, golden retrivier e labrador são as raças que costumam apresentar maiores complicações. Apesar de a doença renal costumar afetar os mais idosos - depois dos 7 anos de idade - vemos cada vez mais casos clínicos em pacientes jovens. Por regra, 3 em cada 10 gatos possuem a patologia e nos cães, 1 em cada 10”, ela explica.

Estas doenças são dividas em duas categorias: grave e aguda. Na primeira, o animal pode apresentar vômito, emagrecimento, desidratação, hipertensão, anemia, alterações gastrointestinais, muco, sangue nas fezes, ulcerações na boca e um cheiro de compostos nitrogenados, como amônia. Ela pode ocorrer por decorrência de lesões que reduzem a quantidade de células responsáveis por executar a função do rim, como processos inflamatórios, por exemplo.

Já na aguda, o órgão perde momentaneamente suas funções, porém, o quadro é mais fácil de ser revertido. Neste caso, o pet costuma ter mais sede do que o comum, aumenta a frequência de urina e pode apresentar febre, mau hálito, perda de apetite e diarreia.

A prevenção, assim como a maioria das doenças, pode ser feita com visitas frequentes ao veterinário para adiantar possíveis diagnósticos. “A partir dos 3 ou 5 anos de idade seria o ideal. Para as raças que já apresentam maior predisposição, sugiro que seja um pouco antes. No caso dos filhotes, a visita ao veterinário pode ser feita a cada 1 ano, à medida que chegam perto da velhice, os check-ups devem ser feitos de 6 em 6 meses”, recomenda Debora.

Além disso, alguns cuidados básicos são indicados pela profissional. “Estimulação para que o pet beba água, alimentação de boa qualidade, castração das fêmeas, acessórios preventivos em regiões endêmicas e nunca dar remédios por conta própria, principalmente, se são medicações indicadas para humanos”, alerta.

O tratamento dependerá da fase em que o animal se encontra, mas, em geral, o médico poderá trabalhar a parte nutricional por meio da ração, com um produto específico para pacientes renais.

Além disso, o nefrologista dará atenção à hipertensão e à perda de proteína na urina, se houver, assim como ficará de olho na baixa de eletrólitos. “Não há cura, por isso, o objetivo do tratamento é deixar o animal o mais estável possível, garantindo o seu bem-estar e evitando a evolução da doença. Como os néfrons, as células do rim não se regeram, a terapia mimetiza a função
do órgão”, ela enfatiza.

Laís Seguin
lais.seguin@jpjornal.com.br

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