Para participar, mande mensagem nas redes sociais Samba de Lenço Piracicaba
O Samba de Lenço acaba de ganhar uma rota cultural exclusiva para contar a história deste ritmo caipira e originário do tempo da escravidão. Com um misto de música, história e turismo, os interessados em mergulhar no assunto já podem agendar a participação nas primeiras atividades, marcadas para dia 15 de maio e 9 de junho – ambas as agendas contarão com intérprete de libras. O projeto também é voltado para escolas públicas a fim de preservar a memória e tradição da cultura referência no interior.
Com duração de quatro horas, os participantes poderão vivenciar e ver apresentações do grupo Samba de Lenço - Mestre Antônio Carlos Ferraz. A atividade tem como objetivo a experiência única de todos os elementos estéticos, sonoros e visuais que constituem a história e a tradição do Samba de Lenço. Durante o percurso, a história do ritmo musical será narrada pela visitação aos territórios que o samba ocupou e, durante as paradas, será a vez do público entrar no centro da rota com contato direto na arte de fazer e viver o samba caipira.
A condução dos roteiros será de Julia Madeira, auxiliar de produção e guia de Turismo, que dentro do contexto da família de Ediana Maria de Arruda Raetano, coordenadora do projeto. Batuqueiras e batuqueiros também dão suporte à rota com a coordenação diretor musical, Maicon Araki. Também batuqueiro, Araki é compositor do grupo de Samba de Lenço, e será responsável por produzir um repertório especial para a Rota do Samba de Lenço, cantando modas sobre as histórias dos territórios percorridos pelo povo preto.
Piracicaba é um município que tem um passado fortemente ligado à economia açucareira escravocrata, com o posto de terceira cidade do Estado de São Paulo com o maior contingente de negros escravizados, trazidos da região do Congo e Angola, pertencentes ao grupo linguístico bantu. Assim, o Samba de Lenço nasceu das manifestações de resistência dos negros escravizados, tal como o Batuque de Umbigada, ambas são expressões culturais afro-caipiras da região do Médio Tietê.
“Proporcionamos uma experiência turística-cultural-pedagógica e, assim, garantimos ao público um envolvimento ímpar com a tradição, algo que consideramos de grande relevância para a formação do público e o desenvolvimento da cena cultural estadual, com inclusão das expressões negras como protagonistas e, ao mesmo tempo, comprometida em gerar empatia ao possibilitar que o público aproveite essa experiência sensível e pedagógica”, pontua Julia Madeira. Natalia Puke é idealizadora e produtora do projeto.
Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br
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