Entidade leva ao ar programa na internet hoje, às 19h, em seu canal do Facebook
A APL (Academia Piracicabana de Letras) celebra hoje (sexta-feira) seus 50 anos de fundação como fruto da iniciativa do intelectual João Chiarini. Antes mesmo da Falb (Federação das Academias de Letras do Brasil) reconhecer a entidade local, em 1972, quase 70 acadêmicos foram empossados, incluindo o então diretor-proprietário do Jornal de Piracicaba, Fortunato Losso Netto, que ocupou a cadeira do patrono Lima Barreto e foi empossado pelo então editor do mesmo diário, Leandro Guerrini. A APL teve outros membros ilustres, como o ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. Atualmente, a APL tem 40 cadeiras ocupadas por residentes em Piracicaba. Para a data, haverá uma live hoje, às 19h, no canal do Facebook da Academia Piracicabana de Letras.
O reconhecimento e a inclusão da APL na Falb aconteceram logo após a fundação da entidade piracicabana, em 1974, no Rio de Janeiro. Naquela época, a Federação das Academias designou a escritora e folclorista Odette Coppos como delegada da Academia Piracicabana de Letras na Falb. Ela recebeu do fundador da entidade, João Chiarini, o título de ‘Africanóloga’ pelos seus trabalhos em prol das manifestações folclóricas de matizes africanas como as congadas, as quais ela reuniu material inédito e publicou no livro ‘Congadas’, lançado em 1971 pela Editora Pongetti, do Rio de Janeiro.
Segundo a Falb, inicialmente, a Academia Piracicabana não seguiria os moldes tradicionais das entidades semelhantes. A APL porque foi idealizada mais como uma entidade de estudos literários e artísticos, aberta especialmente aos jovens talentos piracicabanos. Dirigindo a Academia Piracicabana de Letras de 1972 até meados de 1988, Chiarini recebeu a adesão de nomes notáveis como o memorialista piracicabano professor Haldumont Nobre Ferraz, que seria conhecido no interior paulista como escritor, genealogista e também historiador.
Um estudo, publicado em 1986 por Haldumont, que também foi membro do IHGP (Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba) e da Academia Paulistana de História, enalteceu a idealização e objetivo da fundação da APL e destacou o que sempre destacava Chiarini: o esquecimento histórico de autores da cidade. “Os velhos escritores piracicabanos, como Francisco Lagreca, Sud Mennucci, José de Oliveira Alcântara Machado (que foi presidente da Academia Brasileira de Letras), Mário Neme, Hildebrando Magalhães, morriam e seus nomes caíam no esquecimento. Nomes de ruas, todos, de todas as origens; nunca os de escritores piracicabanos.”
“Nos idos de 1970, a Academia de Letras já estava em funcionamento, com outra perspectiva, criando-se a figura do acadêmico com seus patronos. O memorialista Haldumont Nobre Ferraz esboçaria um levantamento histórico dos principais acontecimentos da Academia Piracicabana de Letras, de 1972 a 1986, onde um dos detalhes importantes está no fato, resgatado pelo próprio, de Juscelino Kubitschek de Oliveira, ex-presidente do Brasil e com os seus direitos políticos cassados naquela oportunidade, ter sido da primeira turma de acadêmicos de Piracicaba, tendo recebido o diploma e escolhido como patrono a poeta Cecília Meirelles. Hoje em dia, tanto João Chiarini como Haldumont Campos Ferraz, são reverenciados em Piracicaba, sendo ambos os nomes de escolas municipais e de vias públicas”, relata a Falb.
Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br
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