Bloco Pira Pirou foi criado para promoção de um Carnaval democrático

Por Laís Seguin |
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Em 2016, enquanto se fechava a Sapucaia, grupo surgiu como forma de protesto

O Bloco Pira Pirou foi criado com o princípio de fazer uma Carnaval democrático e acessível a todas as pessoas. Fundado em dezembro de 2016, o Pira Pirou nasceu da indignação quando o Bloco da Sapucaia se tornou um evento fechado no Carnaval de 2017. Com essa mesma toada, o bloco leva seu lema à marchinha de 2022, conteúdo que pode ser conferido na programação virtual ‘Carnaval de rua: festa do povo’ do Sesc Piracicaba, entidade que produziu uma série de clipes com seis blocos tradicionais de Piracicaba – assista aos vídeos no canal do clube do Youtube. Sucesso de público, o Pira Pirou –o último bloco da série do JP – leva para as ruas da cidade cerca de 2.000 foliões. As informações desta matéria foram concedidas em entrevistas feitas com os coordenadores do grupo, Laura Vidotto e Bruno Spadotto.

A primeira vez que o Pira Pirou foi para as ruas piracicabanas aconteceu no Carnaval de 2017. “Surgimos a partir da reação ao movimento de privatização do Carnaval popular, que veio forte em Piracicaba naquela época, quando a Sapucaia popular foi proibida pela prefeitura e, no lugar dela, foi criado um evento fechado, com cobrança de abadas e áreas vips. Nesse sentido, o bloco foi um movimento da sociedade, que se posicionou de forma crítica aos processos de ‘camarotização’ do Carnaval. Defendemos um Carnaval popular, gratuito e inclusivo, que abarque todas as pessoas de todas as classes, raças, gêneros e credos”, contam Laura e Bruno.

Os coordenadores contam que colocar um bloco na rua em Piracicaba demanda tempo e esforço. “Há bastante trabalho quanto à organização interna, organização junto ao Coletivo dos Blocos da cidade e em negociações com o Poder Público ao longo do ano.” Na área social, o Pira Pirou tem por objetivo levar atividades às comunidades carentes.

“Tínhamos um projeto de fazer oficinas de percussão e instrumentos de corda ao redor das periferias das cidades, visando criar uma banda do bloco a partir desses aprendizes, mas, sem o apoio do Poder Público, isso ficou inviabilizado até o momento. Caso a prefeitura mude seu olhar para o Carnaval, entendendo a capacidade deste de movimentar a economia e a cultura, para além unicamente de um olhar bastante reacionário, preguiçoso e preconceituoso – que a atual gestão púbica do município tem sobre o Carnaval popular – iniciativas como essa, de oficinas de cultura ao redor da cidade, poderão ser melhor desenvolvidas pelos blocos da cidade”, destacam os coordenadores do bloco.

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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