De peças a esquetes, as apresentações ocuparão espaços públicos em maio
A 1ª Mostra Preta Periférica de Teatro em Piracicaba está em fase de recepção de propostas de espetáculos a partir de grupos e coletivos negros de artes cênicas. As montagens devem estar em estágio final – prontas para exibição ao público – e, preferencialmente, serem encenadas por significativa quantidade de atores e atrizes pretos. Os envios de material (release, fotos, cartaz do espetáculo, programa, vídeo e demais mídias) devem ser encaminhados por e-mail em ‘coisadepretas@gmail.com’ a partir de amanhã (domingo) até o próximo dia 23.
A mostra é inspirada no Teatro Experimental Negro, fundado em 1944, com foco exclusivo na temática afro. O convite aos coletivos teatrais está dentro da proposta de apresentar ao público em geral o que pensam, por meio das montagens e encenações, sobre o tema da negritude. O evento tem como proposta abordar a construção de um pensamento político sobre a negritude quanto a favorecer a expansão de sua representatividade e a possibilidade de ampliar a difusão da consciência da luta do povo negro.
A coordenação da mostra é da atriz Eva Prudêncio e os espetáculos públicos e gratuitos devem acontecer entre os dias 12 e 15 de maio – data em que se discute a abolição da escravatura no Brasil. “Serão quatro dias consecutivos de atividades teatrais a acontecerem nas ruas e em alguns pontos representativos do povo negro piracicabano e periférico, como a Vila África, a Casa do Hip Hop e o Barranco Cultural. Estes lugares podem ser considerados como verdadeiros quilombos atuais de reunião da arte, cultura e resistência negra na cidade de Piracicaba”, destaca Eva.
A primeira edição aceita em sua programação espetáculos teatrais, esquetes e cenas produzidas e apresentadas por negros e negras. O evento contará também com oficinas, palestras, debates, exibição de filmes e rodas de bate-papo. Todas essas atividades devem girar em torno dos profissionais negros e negros para constituírem um verdadeiro ‘aquilombamento’ cultural. “Quando uma mulher negra se movimenta, ela movimenta toda uma estrutura”, afirma a atriz e coordenadora da mostra, citando a professora e filósofa socialista Angela Davis.
Na impossibilidade de, eventualmente, não se contemplar integralmente o conjunto de profissionais, espetáculos ou elencos exclusivamente negros, a produção da mostra abrirá espaço para os demais grupos desde que respeitados o objetivo do projeto.
Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br
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