Plataforma digital do Sesc exibe e exalta produções de cineastas negros

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 2 min

A variedade de formatos e tempo é grande; ‘Cinderelas’ impressiona nas entrevistas

De ficção a documentários, nove filmes estão na lista da ‘Ojú Roda Sesc de Cinemas Negros’ e ficam disponíveis até 9 de fevereiro com acesso gratuito – confira em ‘sesc.digital/colecao/oju’. A seleção de audiovisuais em diferentes formatos e de curta a longa duração foi baseada em produções realizadas exclusivamente por cineastas negras e negros. Em tempo de discussões sobre racismo reverso e a morte recente da cantora Elza Soares, a Oju comtempla reflexões com base em fatos reais, como ‘Zumbi Somos Nós’, e ‘Vista Minha Pele’ que traz uma sociedade com a etnia branca como escravizada.

A mostra se dedica a promover a diversidade de criadoras e criadores brasileiros, destacando a importância histórica do audiovisual em sua potência poética e política, e sua contribuição para a decolonização do olhar. Do Yorubá, ojú significa olho, uma relação direta com o cinema com o sentido de olhar, sensibilizado pela luz da projeção.

Para o Sesc, a ideia de uma roda de cinema aproxima os sujeitos para juntos compartilharem histórias, se identificarem e, em coletividade, construírem as narrativas. Com esse propósito, a nova mostra busca envolver o público na roda e fazer movimentar pensamentos. Ao ressaltar a produção audiovisual negra, a Roda Sesc de Cinemas Negros pretende destacar a importância do fazer coletivo, respeitando a singularidade dos diferentes sujeitos, corpos e formas de contar histórias.

Um dos documentários mais impressionantes escolhidos é ‘Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado’. A produção escancara o turismo sexual entre mulheres e travestis, com depoimentos e cenários contundentes. Entretanto, apesar de todos os perigos, jovens mulheres brasileiras ao entrar neste mundo acreditam que vão mudar de vida e sonham com o seu príncipe encantado. O filme vai do Nordeste brasileiro a Berlim buscando entender os imaginários sexuais, raciais e de poder das jovens cinderelas do Sul e dos lobos do Norte.

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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