Prefeitura indicou o número telefônico 153, da Guarda, como central de atendimentos; leitores reclamam
Leitores do Jornal de Piracicaba informaram que a GCM (Guarda Civil Municipal) se recusou a atender denúncias sobre uso de fogos de artifício com efeito sonoro durante o período de festas de fim de ano. Segundo relatos, o órgão de segurança ainda informou aos cidadãos que se queixaram que a cidade não dispõe de legislação municipal específica. Em matéria publicada pelo JP na edição do último do sábado (dia 1º), a prefeitura apontou leis e decretos bem como indicou a Guarda como central para denúncias. “O telefone correto para realizar este tipo de solicitação é mesmo o 153. Nós lamentamos este desencontro de informações. A GCM irá apurar quantos atendimentos ocorreram referentes às solicitações de fogos de artifício no final do ano”, informou a assessoria de imprensa da administração municipal.
“Olá, ontem entrei em contato com o 153, conforme o comunicado que o Jornal de Piracicaba informou, para denúncias de fogos de artifício. Pois bem, a pessoa que atendeu logo de cara já esclareceu falando que não eu deveria ligar, e que muita gente já estava ligando. Na ligação ela ainda acrescentou que vocês do Jornal de Piracicaba passaram a informação errônea, pois, a lei é estadual e não municipal, sendo assim, eles não iriam fazer absolutamente nada, e se eu quisesse poderia ir até uma delegacia fazer boletim de ocorrência”, disse a leitora Laís Novaes nas redes sociais do JP.
Além do regramento municipal quanto à perturbação do sossego, o Estado de São Paulo também possui legislação. A lei 17.389 é de julho de 2021 e proibe, no primeiro artigo, “a queima, a soltura, a comercialização, o armazenamento e o transporte de fogos de artifício de estampido e de qualquer artefato pirotécnico de efeito sonoro ruidoso no Estado de São Paulo”.
A vereadora Alessandra Bellucci (REP) esteve ontem (segunda-feira) com a equipe da GCM para falar sobre o assunto. A parlamentar pede que a Sedema (Secretaria Municipal de Meio Ambiente), a Guarda, a Polícia Militar e o Estado se organizem para colocar fim aos fogos com efeito sonoro na cidade. Em fevereiro, a vereadora requereu da prefeitura um planejamento para inibir a queima conforme prevê a lei municipal.
“Precisamos que a Sedema consiga articular essa engrenagem de união dos poderes públicos para que consigam trabalhar juntos. A Guarda sozinha não resolve, nem os demais órgãos. Outra questão é a de instruir a população quanto ao município não ter viaturas suficientes para estar nos locais aonde esses fogos estão sendo soltos. A população também precisa trazer a responsabilidade para ela e denunciar com base em foto ou vídeo. Quem solta fogos com estampido é criminoso”, diz a parlamentar.
POVO CHATO
Um dos comentários sobre a proibição dos fogos com estouros nas redes do JP traz a classificação de ‘povo chato’ – o autor segue seu comentário dizendo “vou soltar os rojões de qualquer jeito” e termina com palavreado chulo. Os motivos para cessar com os artefatos com estampido – e não os de efeito estético, que fazem desenhos como de uma chuva – não ficam só na seara da causa animal – muitos bichos ficam nervosos, chegam a fugir do local aonde estão e passam dias sem comer. Sueli Arvati Hoffman é mãe do pequeno Ian, de nove anos de idade. A criança é do espectro autista, com nível leve. Sueli destaca que a hipersensibilidade dos autistas exposta a grandes ruídos pode desencadear uma crise nervosa. “Eles não conseguem ouvir um som de cada vez e, no mínimo, ficam agitados. Se existe a lei, vamos respeitar. Falam-se tanto em empatia, mas não convivem com idoso, cachorro e não têm nenhum deficiente na família. Só quando passam pela situação é que vai começar a pensar”, diz Sueli.
Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br
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