Apenas 5% dos brasileiros confiam em alguém, diz autor
O novo best-seller do holandês Rutger Bregman chega ao Brasil com a proposta de jogar luz sobre a humanidade de forma positiva e afastar a maldade intrínseca da espécie. À venda em sites especilizados por R$ 38,61, ‘Humanidade: Uma história otimista do homem’ aborda a cooperação e a confiança do homo sapiens que “nasce para aprender, se relacionar e interagir e que tem no ‘corar’ a quintessência da socialização”. Segundo o autor que vem ganhando destaque na Europa, corar é uma expressão unicamente humana, e que significa ter vergonha. “Pessoas coram e, com isso, demonstram que se importam com o que as outras pessoas pensam, fomentando assim confiança e socialização.”
Em entrevista à grande imprensa, o autor revela problemas do Brasil quanto a sua proposta no livro: a desconfiança da população local. Com base em pesquisas anuais realizadas desde 1950 por sociólogos do World Value Survey apenas 5% dos brasileiros afirmaram poder confiar nas pessoas – o mesmo índice na Noruega é de 70%. “A confiança é o oxigênio da sociedade, confiar faz tudo funcionar melhor. Se você não tem confiança, você tem burocracia, mais advogados. Na minha opinião, devemos fazer tudo que pudermos para aumentar o volume de confiança em uma sociedade”, analisa Bregman.
Duas chaves podem – ou já mudaram – tal comportamento da humanidade. Uma foi a pandemia do novo coronavírus. “Podemos sempre olhar para quem não usa máscara e se mostra contra a vacina, ignorando a realidade, mas, a grande maioria fez o que era necessário”, analisa. Bem embasado em pesquisas relevantes, Bregman acredita que a evolução – e o cansaço – irá se contrapor à desconfiança.
Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br
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