Após 73 anos, Albergue Noturno fecha as portas sem contrato com a prefeitura

Por Laís Seguin |
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Nesta sexta-feira (17) diretoria do albergue anunciou fechamento do prédio e encerramento das atividades

Rua Prudente de Moraes, 1.900, Centro. Durante os últimos 73 anos este endereço foi referência para migrantes de várias regiões do Estado e do país, que chegavam a Piracicaba e não tinham um lugar onde ficar. Desempregados, pacientes em busca de tratamento médico, pessoas que buscavam parentes ou viajantes sem recursos para pagar por hospedagem, encontravam no Albergue Noturno, acolhimento, banho e refeições. No último inverno, a instituição mantida pelo Núcleo Espírita Vicente de Paula chegou a abrigar 33 homens, três acima da capacidade, durante os três meses de frio intenso.

Nesta sexta-feira (17) a diretoria do albergue anunciou o fechamento do prédio e encerramento das atividades a partir do dia 1º de janeiro. De acordo com a presidente Teresinha Ott Vale, a Prefeitura de Piracicaba comunicou o rompimento do contrato em novembro e pegou a todos de surpresa.

Segundo a dirigente, a justificativa da administração municipal para encerrar o contrato com o albergue, foi de que a Casa de Passagem, instituição localizada no bairro Jardim Califórnia, vai unificar o atendimento aos migrantes e aos moradores de rua a partir do próximo ano.

“Não tem como descrever o nosso sentimento, fomos pegos de surpresa e não tivemos tempo para nada”, contou Teresinha, que há 35 anos está à frente da instituição.

O convênio com a prefeitura era a única fonte de renda do albergue. Os repasses somavam R$ 460 mil ao ano e eram usados na manutenção do local, incluindo as despesas com os sete funcionários, contas de consumo e alimentação.

Segundo Teresinha, a entidade contava esporadicamente com doações por parte da sociedade. “Faço questão de dar essa satisfação a população de Piracicaba, que sempre nos ajudou quando precisamos, com doações de roupas e mantimentos”, pontuou.

Teresinha disse que os funcionários já foram comunicados da dispensa e os recursos em caixa são suficientes para pagar as rescisões. Ela acrescentou que as prestações de contas feitas à prefeitura periodicamente sempre ocorreram de forma tranquila e nunca houve problemas. “Todos os meses sobrava, nunca houve problema, administramos o albergue como se fosse a nossa casa, quando precisávamos fazer alguma reforma, sempre comunicamos a prefeitura”, enfatizou.

A prefeitura foi procurada ontem (17) para comentar o rompimento do contrato com o albergue, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno.

Beto Silva
beto.silva@jpjornal.com.br

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