Entidade de saúde contesta informação e diz ter documentos; associação processa prefeito por R$ 344 mil
O atendimento na policlínica da Fundação Ilumina deixou de fazer 209 exames de colonoscopia ao mês, acusa a Secretaria Municipal de Saúde. A realização do procedimento integra o último convênio para rede pública de saúde, firmado entre prefeitura e entidade, em 18 de junho deste ano. A Pasta acrescenta que, dentro do mesmo contrato, foi fechado um pacote de 1.157 diferentes exames para detecção de câncer, mas apenas 15 foram realizados pela Ilumina. A fundadora e presidenta do conselho de administração da Ilumina, a médica Adriana Brasil, contesta as informações da secretaria e informa que “as vagas para exames no Hospital Ilumina estavam abertas, mas, não foram utilizadas pela Prefeitura de Piracicaba”. “Temos tudo isso documentado”, afirma ela.
Além da colonoscopia, a Secretaria de Saúde informa que há problemas no andamento dos exames de ultrassom de abdome (total e superior), doppler venoso, ultrassom do aparelho urinário, endoscopia digestiva, ultrassom de próstata abdominal, ultrassom de articulação, biópsia percutânea, e Paaf (Punção Aspirativa com Agulha Fina) de mama, todos voltados para rastreio oncológico (detecção de câncer). Ainda conforme a Pasta, o convênio com a Ilumina é mantido por meio de emendas parlamentares, com valor total de R$ 700 mil.
Adriana Brasil classifica as informações da Saúde como equívocos. “Grande parte desses exames não foram reconhecidos pela prefeitura porque não foram encaminhados pela mesma. A prefeitura não considera e não paga os serviços que prestamos para pacientes que têm o tumor e que não têm sintomas, mas que podem ser salvos com diagnóstico e tratamento precoce. Por isso, os números não batem. Nossa gestão é transparente, os números são publicados no nosso portal e enviados com protocolo para várias instituições, incluindo à Prefeitura de Piracicaba. Os planos de trabalho já foram entregues e não foram contestados pela prefeitura.”
Sobre a verba disponibilizada ao hospital por parlamentares, Adriana aponta que, “tecnicamente, as emendas não foram destinadas para financiar serviços já contemplados em contratos com prefeituras”. “Insistimos que recursos de convênio não têm nada a ver com recursos de emendas parlamentares. São como água e óleo, não se misturam. Aliás, é bom reforçar que temos emendas parlamentares retidas na prefeitura, aguardando liberação. Continuamos na expectativa do entendimento pleno com o Poder Executivo para o bem da população.”
NA JUSTIÇA
A Ilumina está processando o prefeito Luciano Almeida (DEM) para colocar em caixa R$ 344 mil retidos, segundo a fundação, pela administração municipal. Segundo a entidade, a cobrança na Justiça se refere ao “não repasse de duas emendas parlamentares destinadas diretamente à Associação Ilumina, sendo uma no valor de R$ 244 mil e outra no valor de R$ 100 mil reais”. A Secretaria de Saúde informou que, até o começo da semana, não havia recebido notificação sobre a ação na Procuradoria Geral do Município.
Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br
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