Universo

Por José Faganello |
| Tempo de leitura: 3 min

“Na morte, não. Na vida. / Está na vida o mistério/ Em cada afirmação ou/ abstinência./ Na malícia / das plausíveis revelações,/ no suborno/ das silenciosas palavras”. (Henriqueta Lisboa- Flor da Morte)

O universo sempre despertou a curiosidade do homem, tanto dos cientistas como a dos leigos.

Como surgiu esse mundo? Qual o significado de tudo o que existe e como se formou? Esses questionamentos inquietam a humanidade e recebem diferentes respostas.

O filósofo humanista François Marie Arouet, imortalizado como Voltaire, grande defensor das liberdades civis, produziu cerca de 70 obras, abrangendo peças de teatro, poemas, romances, ensaios, obras científicas e históricas, mais de 20 mil cartas e mais de 2.000 livros e panfletos; em Sátiras: “As Cabalas”, confessou: “O universo embaraça-me, e não posso imaginar/ que esse relógio exista e não tenha relojoeiro”.

Jean Wahl, filósofo francês que também escrevia poemas, sobre o universo deixou-nos: “Universo, meu irmão,/ Pois não sou nem em ti nem de ti,/ E, no entanto estamos ligados/ Pelo destino comum./ Eu te falo, quase me respondes,/ Vejo-te através das brumas,/ Nascidas do mesmo pai desconhecido/ Universo irmão mal conhecido”.

Voltaire nasceu no século 17 e faleceu no século 18, enquanto Wahl viveu parte no século 19 e morreu no 20. Muito antes deles, outros tentaram entender e explicar o universo. Enumerar as tentativa desde os Sumérios (2.000 A.C.) até nossos dias, demandaria uma obra gigantesca, impossível de ser resumida num compêndio acessível aos leitores.

Atualmente a ciência está se valendo do LHC, acelerador de partículas da Organização Europeia Nuclear (Cern).

Instalado entre a França e a Suíça, a uma profundidade entre 50 e 150 metros, o túnel LHC tem 27 quilômetros de extensão; é o maior e o mais completo complexo de experimentos científicos do mundo.

Dentro desse túnel há 9 mil imãs supercondutores gigantes operando 24 horas por dia, sete dias por semana. Eles aceleram dois feixes de energia formados por prótons, as partículas do núcleo dos átomos. Esses feixes acelerados em sentidos opostos, numa velocidade próxima da luz, quando colidem se esmigalham e libertam enormes quantidades de energia e de partículas nunca antes descobertas.

Ao correr do tempo o homem conseguiu explicar de modo racional muitos fenômenos naturais, mas até agora continua a busca para comprovar como surgiu o universo.

A notícia da descoberta do bóson, não desvendou nenhum mistério e, destrinchar o bóson de Higgs exigirá muito tempo . A esse mistério há outro na berlinda – Os Buracos Negros.

A teoria sobre esses fenômenos afirma que são regiões do espaço sideral das quais nada, nem mesmo objetos que se movem a velocidade da luz, podem escapar e são por eles engolidos. São praticamente invisíveis, mas podem ser localizados por meio da observação dos movimentos de estrelas em suas proximidades.

Além de provocarem incredulidade em muitos, provocam a irrespondível pergunta, para onde vão as coisas por eles engolidas? Se nada se perde e tudo se transforma, haverá um mundo paralelo em outra dimensão?

É admirável constatar tamanha capacidade do ser humano em produzir tão fantásticas descobertas e engendrar tais teorias, mas como entender porque não se coloca igual empenho em solucionar prementes problemas de nosso planeta: fome, miséria, precárias infraestruturas, conflitos armados, etc.

Henriqueta Lisboa acertou ao dizer que é na vida que se encontra o mistério de nossos atos, como é o caso desse afã de desvendar o espaço sideral e pouco se importar com a vida aqui real e necessitada de receber mais cuidados, pois se a partícula de Deus for comprovada, os seres que aqui habitam são portadores delas e merecem divino respeito, ou nossa sina é conviver com mistérios indesvendáveis?

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