Quatro mulheres disputam a Prefeitura pela primeira vez

Por edicao_jp |
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Nestas eleições, pela primeira vez na história de Piracicaba, quatro candidatas disputam a Prefeitura. Carolina Angelelli (PDT), Coronel Adriana (PSL), Érica Gorga (Patriota) e Nancy Thame (PV) ainda estão em minoria entre os 12 candidatos ao Executivo, mas o simples registro dessas candidaturas representa um salto na participação feminina na política municipal. Antes delas, apenas duas mulheres concorreram ao cargo majoritário: a historiadora Esther Sylvestre da Rocha (PT), em 1996, e a professora Marina Madeira (PCO), em 2008.

De perfis, idades e ocupações completamente diversas, as candidatas que hoje disputam o Executivo representam siglas de diferentes correntes ideológicas, desde o PSL, do presidente Jair Bolsonaro, até o PDT, de Ciro Gomes. Em comum, as quatro têm a certeza de que as mulheres podem dirigir uma cidade tão bem quanto qualquer homem. Na verdade, apostam que a mudança do comando para mãos femininas deve ser benéfica para a cidade.

“As mulheres que se dispõem a serem líderes são muito mais dedicadas e perfeccionistas”, afirma Carolina Angelelli. Para Coronel Adriana, o diferencial feminino é uma soma de coragem, sensibilidade, foco, objetividade, com a capacidade de desempenhar vários papéis ao mesmo tempo. Já Érica Gorga aponta como principal diferença entre homens e mulheres no poder a tendência de elas serem mais cuidadosas e transparentes com o bem público. Por fim, Nancy Thame ressalta que a mulher tem um modo mais horizontal e democrático de se relacionar, ouvindo as propostas e dialogando.

Outra característica comum às quatro candidatas é o fato de todas terem conseguido romper uma “barreira invisível” existente nos partidos, que sempre lançavam candidaturas masculinas para o cargo de prefeito. Carolina Angelelli afirma ter sido escolhida por sua dedicação ao diretório municipal do PDT, do qual é vice-presidente há dois anos. Coronel Adriana, que atualmente é vereadora, acredita que a indicação de seu nome pelo PSL se deve à sua trajetória na Polícia Militar e ao seu bom trabalho no Legislativo. Érica Gorga atribui o convite para disputar a Prefeitura ao seu currículo profissional, ao fato de ser ficha limpa e aos mais de 33 mil votos que obteve em 2018, quando disputou vaga na Câmara dos Deputados. Para Nancy Thame, também vereadora, sua indicação se deve ao apoio de um grupo fiel que a acompanhou na troca do PSDB pelo PV. A mudança de partido, segundo ela, se deve à perda de identificação com a legenda anterior, sobretudo em função de divergências quanto à gestão atual.

Em relação às propostas dessas quatro candidatas, as que mais as aproximam também são relativas à defesa dos direitos das mulheres. Além de todas prometerem maior incentivo à participação feminina nas decisões políticas, elas também concordam quanto às dificuldades enfrentadas para a inclusão daquelas que são mães no mercado de trabalho. Por isso, apesar de terem diferentes propostas para a geração de empregos, todas apontam a necessidade urgente da ampliação no número de vagas em creches, além da implantação de atendimento em período integral nessas unidades de ensino.

Minoria entre os 12 candidatos a prefeito, as mulheres são maioria do eleitorado no município, 52,6% do total. Essa vantagem numérica, no entanto, nunca refletiu em votos. Ao longo de 198 anos da Câmara, apenas 13 mulheres foram eleitas entre os 542 parlamentares. No caso da Prefeitura, as duas únicas candidaturas até o momento somaram pouco mais de 12 mil votos. Também nesse ponto, a opinião das candidatas é a mesma: em 2020, em função de maior busca por representatividade, o resultado das urnas deve ser diferente.

Coronel Adriana lidera em arrecadação e despesas

   A falta de indicação de mulheres para cabeça de chapa e o baixo investimento dos partidos nas candidatas parecem ter ficado no passado. Entre as concorrentes deste ano, todas receberam pelo menos R$ 100 mil do fundo partidário. No caso dos candidatos do sexo masculino, teve quem declarou não ter recebido nada. Além disso, até o momento, a campanha que mais recebeu recursos foi a da Coronel Adriana (PSL).

Conforme dados disponíveis no site Divulgacand, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), atualizados até 24 de outubro, a vereadora e policial militar recebeu R$ 250 mil no total, sendo R$ 230 mil do fundo partidário e R$ 20 mil em doações de pessoas físicas. Desse montante, já foram gastos R$ 160 mil na própria campanha, sendo R$ 90 mil em programas de rádio e televisão. O limite de despesas para o primeiro turno em Piracicaba é de R$ 395 mil.

Segunda mulher com maior arrecadação, a vereadora Nancy Thame (PV) registrou ter recebido R$ 170 mil no total, sendo R$ 150 mil do fundo partidário. Já as despesas dessa candidata somam, até agora, R$ 31 mil.

Na sequência, Carolina Angelelli (PDT), também declara o recebimento de R$ 150 mil do fundo partidário, com despesas totais de R$ 71 mil na campanha. Érica Gorga (Patriota), por sua vez, declara o recebimento de R$ 100 mil de seu partido, tendo gasto R$ 68 mil na campanha eleitoral.

Dentre os candidatos do sexo masculino, Zé Pedro (PL) foi quem mais recebeu recursos do partido: R$ 200 mil. O candidato, no entanto, declarou apenas R$ 3,8 mil em despesas. Professor Adelino (PT), com total arrecadado de R$ 184 mil, é o terceiro que mais recebeu recursos e o terceiro que mais gastou, tendo declarado R$ 112 mil em despesas.

Luciano Almeida (DEM), que detém o maior patrimônio entre os candidatos, arrecadou R$ 129,4 mil, sendo R$ 95 mil de pessoas físicas, R$ 30 mil em recursos próprios e R$ 4 mil do partido. Em despesas, ele foi o segundo que mais gastou, um total de R$ 118 mil.

Mário Neto (PSB) recebeu R$ 100 mil do fundo partidário e gastou R$ 70 mil. O candidato Francys Almeida (PCdoB), por sua vez, recebeu R$ 49,5 mil e declarou mais de R$ 98 mil em despesas contratadas. O total de despesas pagas por ele já soma R$ 46 mil.

Entre as campanhas mais modestas está a de Edvaldo Brito (Avante), que declarou ter recebido apenas R$ 8 mil de pessoas físicas. As despesas dele somam R$ 7,8 mil. O candidato à reeleição Barjas Negri (PSDB), declarou ter recebido R$ 5 mil do diretório municipal do partido e não lançou nenhuma despesa até o momento. Por fim, o candidato Carlito (PTC) sequer apresentou declaração ao TSE.      

Ana Carolina Leal
ana.carolina@jpjornal.com.br

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