Diante da pandemia da Covid-19 (novo coronavírus), bilhões de pessoas não podem encontrar pessoalmente com seus amigos e familiares. Neste cenário de um necessário isolamento social para controlar a disseminação do vírus, as redes sociais são cada vez mais acessadas para manter o contato não só com os entes queridos, mas também com lojas e restaurantes preferidos, médicos, professores e outros profissionais durante a crise. No entanto, em tempos de crise ou situações de exceção, e quando as fake news proliferam e propositalmente desinformam. Contra esse desserviço criminoso, o WhatsApp, ontem, determinou novo limite para encaminhamento de mensagem.
Segundo a assessoria de imprensa do aplicativo informou, os conteúdos trocados pelo WhatsApp, invés de cinco, a partir de agora podem ser reenviados só uma vez, seja pessoa, lista de transmissão ou grupo.
A mudança traz duas novidades ao app. A primeira delas é dar uma utilidade às “mensagens encaminhadas com frequência”, que desde o ano passado, era indicado com setas duplas ao lado da palavra “encaminhadas”. O intuito, ressalta a assessoria do Whatsapp, é torná-lo mais “pessoal”.
“Geralmente, as mensagens encaminhadas muitas vezes podem conter informações falsas e não são tão pessoais quanto as mensagens típicas enviadas pelos seus contatos no WhatsApp. Agora, atualizamos o limite de encaminhamento para que essas mensagens só possam ser encaminhadas para uma conversa por vez”, desta em nota.
O aplicativo, que pertence ao grupo Facebook, reitera que a medida é mesmo para combater a onda de fake news num momento delicado da humanidade, que ainda é atordoada diariamente com informações equivocadas especialmente sobre o combate à Covid-19.
“Temos visto um aumento significante na quantidade de mensagens encaminhadas que, de acordo com nossos usuários, podem contribuir para a disseminação de boatos e informações falsas. Acreditamos que é importante desacelerar a disseminação de mensagens encaminhadas para que o WhatsApp continue sendo um espaço seguro para conversas pessoais”, afirma o aplicativo.
A mudança não agradou o professor de Geografia José Antônio Fermozelli Júnior, que utiliza o Whatsapp para enviar exercícios aos alunos do ensino fundamental durante o período fora da classe de aula. “O repasse anterior, de cinco em cinco, otimizava o tempo, mas entendo que se trata de uma segurança para todos nós. Fake news e retransmitir informação duvidosa, inclusive, é algo que constantemente converso com os adolescentes”, ele conta.
O Técnico em Informática Rafael Guerra Franchi se diz indiferente à mudança e acredita que atualizações são sempre bem-vindas aos aplicativos de comunicação em massa. “Muitos apenas encaminham informações úteis, vídeos divertidos, pensamentos ou orações que têm um significado especial e pessoal para seus contatos, estes serão prejudicados, de alguma forma. Entretanto, se a mudança neutralizar outras pessoas que utilizam na maldade, vale a pena, sim”.
Já para Leandro Carbonato, jornalista e produtor musical, o encaminhamento de mensagens sempre foi utilizado por sua equipe para disparos de releases à imprensa, ou noticiar algo pontual sobre os seus eventos, e limitá-lo não perde o efeito do serviço, apenas demandará mais tempo. Para ele, o Whatsapp precisa, mesmo, ser um ambiente mais seguro e saudável para as pessoas. “Quem sabe, desta forma, a pessoa pense em dar um oi para o amigo, perguntar se está se cuidando nesta pandemia, invés de apenas repassar desenfreadamente vídeos cujos conteúdos nem sempre são verídicos”.
Combate às fake news
O Whatsapp também anunciou ontem que está trabalhando com governos e organizações não governamentais, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e ministérios da saúde de mais de 20 países, para ajudar a levar informações confiáveis à população. O aplicativo disse que, juntas, essas organizações já enviaram “centenas de milhões de mensagens” a pessoas no mundo todo que buscam informações e dicas sobre como lidar com a pandemia. “Acreditamos que agora, mais do que nunca, as pessoas precisam se conectar com privacidade”, garante o app.
Erick Tedesco