Patologia não permite a pessoa relaxar ou contemplar os prazeres da vida

Por Ana Pascoalete |
| Tempo de leitura: 3 min

Durante muito tempo, pacientes com fibromialgia frequentaram consultórios com diferentes especialistas em busca de respostas e alívio para suas dores, que não tinham pontos específicos e não eram detectados. Muitos profissionais até, se convenciam de que essa dor, somente existia na imaginação de quem as sentia.

Com novas descobertas na década de 1980, os estudos apontavam que pacientes com fibromialgia apresentavam neurotransmissores de dor em maior quantidade, e a partir do ano 2000, com os avanços na área da neurociência tornou-se possível identificar essa afirmação nos exames.

Pessoas que desenvolvem fibromialgia costumam sentir dores crônicas e fortes nos músculos de seu corpo. Com o decorrer do tempo, eles se adaptam com a dor e passam a conviver com ela em seus cotidianos, porém essas dores costumam promover cansaço, desânimo na vida do portador, e na maior parte dos casos, estão associadas ao quadro de depressão.

Além das dores e cansaço extremos, atrelados ao desânimo é comum nos pacientes a queixa de alteração do sono, concentração e problemas de memória. A doença é mais comum em mulheres e costumam surgir dos 30 ao 55 anos. No Brasil, estima-se que 5 milhões de pessoas apresentem o quadro.

Por meio da ciência da psicologia, nos atendimentos de psicoterapia, percebe-se que essas pessoas costumam assumir muitas responsabilidades, geralmente do trabalho ou familiares, e carregam “o mundo nas costas”, o que eleva ainda mais a tensão sobre as questões da vida. Aparentemente, pessoas com fibromialgia aparentam estar bem, mas sentem dores ao movimentar o corpo.

Vale entendermos que o corpo e a mente são instâncias conectadas e que todo o funcionamento interfere diretamente na saúde de cada um. Assim, se algo estiver em desequilíbrio, o corpo reproduzirá esse reflexo, adoecendo também.

Geralmente, os pacientes relatam constante preocupação com o que deixou de fazer e se cobra de maneira exagerada. São indivíduos com dificuldades de delegar tarefas, pois nunca são realizadas pelos outros da forma que gostariam.

Essa é uma doença não curável. Pesquisas apontam que atividade física continua – associada a uma dieta saudável, com a administração de antidepressivos e psicoterapia, – é fundamental para diminuição e controle dos sintomas, tornando ideal o apoio de uma equipe multifacetada no tratamento.

Se você apresenta esse quadro de dor, cabe uma reflexão para promover mudanças em como levar sua vida, vale alterações em como olhar os acontecimentos em sua rotina, pois não é possível ter o controle do mundo, e em muitos momentos as situações podem sair diferentes do que foi planejado, sem que precise sofrer tanto.

Assim será mais fácil redirecionar não deixando toda a energia e tensão sobre o corpo físico. Aprender a relaxar e se comportar de maneira diferente faz parte da proposta do trabalho de psicoterapia, que auxiliará no tratamento, porém embora pareça, não é uma tarefa simples diminuir o controle exercido sobre suas condutas, ainda mais quando esse comportamento se repete no decorrer de uma vida. O psicólogo especialista, por meio da neutralidade e acolhimento, ajudará o indivíduo a trilhar novos caminhos para a amenização psíquica necessária para quem apresenta a fibromialgia.

Com certeza, paralelo ao apoio médico, nutricional e de um educador físico, a psicoterapia é o caminho que estimulará a acessibilidade e promoverá facilidades para as pessoas buscarem por mudanças pensando em maior qualidade em suas vidas e, consequentemente, a diminuição das dores.

Comentários

Comentários