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'Tenho orgulho disso', diz arquiteta citada em lista de boicote

Por Xandu Alves | Taubaté
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Marina Murad em vídeo sobre a lista de boicote em Taubaté
Marina Murad em vídeo sobre a lista de boicote em Taubaté

A arquiteta Marina Murad, da MMurad Arquitetura e Interiores, reagiu publicamente após descobrir que seu nome aparece em uma lista de boicote que circula em grupos de WhatsApp e redes sociais em Taubaté.

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Em vídeo publicado nas redes sociais, ela afirmou ter orgulho de estar na relação e pediu que as pessoas não compartilhem o material.

“Lista de boicote de Taubaté! Se ela chegar até você, NÃO compartilhe!”, escreveu Marina na publicação.

Durante o vídeo, a arquiteta disse que não costuma expor aspectos de sua vida pessoal, mas decidiu se manifestar para deixar claro seu posicionamento.

“Taubaté está com uma lista de boicote e o meu nome está nela. Eu queria dizer que eu tenho orgulho disso, para mim não tem problema”, declarou.

Marina também falou sobre sua identidade e suas origens. “Me chamo Marina, sou umbandista, sou homossexual, corre nas minhas veias o sangue indígena do pessoal lá do Belém do Pará. Isso com muito orgulho”, afirmou.

A profissional disse que suas escolhas políticas sempre foram pautadas pelo respeito às pessoas e classificou a iniciativa de divulgar nomes para estimular boicotes como desonesta e ilegal.

“Então meu voto sempre foi por todas as pessoas. O que as pessoas estão fazendo é extremamente desonesto e também ilegal. Tem uma lei para isso e isso configura crime”, disse.

'Estamos juntos'

A arquit'eta aproveitou a repercussão para pedir apoio ao seu trabalho e incentivar outras pessoas citadas nas relações a se manifestarem.

“Se você conhece alguém que está nessa lista de boicote, manda para mim. Eu quero seguir essa pessoa, me segue aqui também, fomenta meu trabalho porque nós estamos juntos e cada vez mais nós vamos crescer”, declarou.

Ao final, Marina afirmou que continuará atendendo clientes independentemente de suas preferências políticas.

“Se você é de direita, se você é de esquerda, saiba que você será sempre muito bem atendido aqui na MMurad”, afirmou. Ela também disse que pretende fazer dessa sua única manifestação sobre a vida pessoal.

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Listas de boicote

Levantamento realizado por OVALE identificou listas de boicote em pelo menos quatro municípios do Vale do Paraíba e do Litoral Norte: São José dos Campos, Taubaté, Ubatuba e Guaratinguetá. Juntas, as relações reúnem mais de 150 nomes de comerciantes, empresários, profissionais liberais e empresas.

Em Taubaté, são 45 nomes, incluindo médicos, arquitetos, professores, escolas, estabelecimentos comerciais e empresas. O material associa os citados a supostos posicionamentos políticos de esquerda e vem acompanhado de mensagens que incentivam consumidores a evitar esses negócios.

A circulação das listas ganhou repercussão após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado no último domingo (25), quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL).

O movimento também alcançou outras cidades, como Guaratinguetá, Jacareí, Pindamonhangaba e Caraguatatuba.

Em São José dos Campos, representantes políticos denunciaram possíveis práticas de assédio eleitoral. A professora Jéssica Marques, porta-voz da Bancada Feminista do PSOL no Vale do Paraíba, informou ter encaminhado representações ao Ministério Público do Trabalho e ao Ministério Público Estadual.

A vereadora Juliana Fraga também relatou casos de pressão política, ameaças e possíveis retaliações contra trabalhadores em razão de suas escolhas eleitorais.

Em Guaratinguetá, a Aceg (Associação Comercial e Empresarial) divulgou uma nota contra manifestações que incentivem intolerância e discriminação por posicionamento político.

A Constituição Federal assegura a liberdade de consciência e de convicção política. No ambiente de trabalho, ameaças, constrangimentos e retaliações motivadas pela escolha eleitoral de funcionários podem configurar assédio eleitoral, conforme as circunstâncias e as provas de cada caso.

“O empresário é dono do seu negócio, e não do voto do seu empregado”, afirmou o procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, ao alertar sobre tentativas de intimidar trabalhadores por suas preferências políticas.

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