ALUNO DE MEDICINA

Bombeiro que matou Bruno em Taubaté se entrega à polícia

Por Da redação | Taubaté
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Bombeiro (à esq.) e Bruno (à dir.)
Bombeiro (à esq.) e Bruno (à dir.)

O bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, que matou a tiros o estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23, após uma briga de trânsito em Taubaté, se entregou nesta terça-feira (6) em um quartel em São Paulo.

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A autoridade policial deve comparecer ao quartel assim que começar o expediente desta quarta-feira (7) para cumprir o mandado de prisão preventiva. Até lá, o bombeiro permanece sob custódia do setor de segurança da unidade, que o escoltará.

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A apresentação ocorre em meio ao temor da família de Bruno de que o militar deixasse de ser localizado antes do cumprimento da ordem. Os parentes cobram Justiça pela morte do jovem.

Por que o mandado não foi cumprido antes

A prisão preventiva foi decretada após recurso do Ministério Público contra a liberdade provisória concedida ao bombeiro na audiência de custódia. O promotor de Justiça Brenno Arruda Sobreira de Siqueira Figueiredo argumentou que as medidas cautelares impostas não eram suficientes diante das circunstâncias do caso.

O cumprimento do mandado, porém, precisou observar o Código Eleitoral. Pelo artigo 236, eleitores não podem ser presos ou detidos nos cinco dias anteriores à eleição e nas 48 horas seguintes ao fim da votação, salvo exceções previstas em lei.

Como o primeiro turno ocorreu no domingo (4), a restrição começou na terça-feira (29) e terminou nesta terça-feira (6). Com o fim do período, o mandado pode ser cumprido.

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A morte de Bruno

Bruno foi morto a tiros na manhã de 30 de setembro, na Avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo, em Taubaté, durante uma discussão de trânsito. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

Marcos Paulo foi preso em flagrante e é investigado por homicídio doloso. Na audiência de custódia, recebeu liberdade provisória com medidas cautelares: comparecimento periódico à Justiça, recolhimento domiciliar à noite e nos fins de semana e proibição de deixar a comarca.

O caso é investigado pela Polícia Civil. A arma relacionada à ocorrência foi apreendida, e a Polícia Técnico-Científica realizou perícia no local. A defesa sustenta que o bombeiro interpretou a situação como tentativa de assalto e agiu em legítima defesa.

Registros anteriores

Marcos Paulo já havia sido citado em ocorrências de conflitos no trânsito. Em 2021, uma discussão teria começado depois que um motorista permaneceu parado por instantes após a abertura do semáforo. Conforme o registro, o bombeiro teria mostrado uma arma ao outro condutor. Em 2019, outro registro envolveu uma discussão depois que ele teria parado um veículo diante da garagem de uma moradora, impedindo a saída.

Os dois casos foram arquivados, sem denúncia do Ministério Público ou processo criminal. Por isso, não podem ser apresentados como condenações ou como prova de que ele tenha cometido os fatos relatados.

A defesa contesta a versão sobre o episódio de 2021. Segundo o advogado Claudio Rodrigues Moreira, Marcos afirma que houve apenas uma discussão e que sequer desceu do veículo. A defesa sustenta ainda que fatos anteriores devem ser tratados dentro de seu contexto jurídico, e não como antecedentes criminais.

Relatos de mulheres

Além dos registros policiais, mulheres procuraram OVALE para relatar supostas ameaças e agressões atribuídas ao bombeiro.

Uma autônoma de Taubaté afirmou ter sido ameaçada duas vezes em agosto, na mesma região onde Bruno foi baleado. Segundo ela, estava em uma moto elétrica com a filha de 11 anos quando foi fechada por um carro e, ao pararem em um semáforo, o motorista teria apontado uma arma em sua direção e feito ameaças. Ela disse que o mesmo motorista voltou a apontar uma arma ao reencontrá-la depois que deixou a filha na escola.

Outras três mulheres relataram experiências que atribuem a Marcos Paulo, incluindo supostas agressões e ameaças. Os relatos foram apresentados pelas próprias mulheres e não são tratados pela reportagem como condenações ou comprovação judicial dos fatos.

Bombeiro estava afastado

O Comando do 11º Grupamento de Bombeiros informou que Marcos Paulo não exercia funções no Vale do Paraíba e estava em licença sem vencimentos. Segundo a corporação, ele está afastado desde 13 de maio de 2026, quando o Diário Oficial publicou a licença para tratar de interesse particular.

O Corpo de Bombeiros afirmou ainda que condutas contrárias à preservação da vida, à legalidade e ao respeito à população são incompatíveis com os valores institucionais.

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