BALEADO EM TAUBATÉ

Vídeo contradiz versão de bombeiro que matou Bruno; VEJA

Por Da redação | Taubaté
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Imagem dos carros antes ao túnel; minutos depois, bombeiro matou Bruno em Taubaté
Imagem dos carros antes ao túnel; minutos depois, bombeiro matou Bruno em Taubaté

Novas imagens de câmeras de segurança ajudam a esclarecer como começou a discussão de trânsito que terminou com a morte do estudante de Medicina Bruno Hashimura San Juliano, 23 anos, em Taubaté. O vídeo contradiz pontos da versão apresentada pelo bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, 28 anos, e mostra o momento em que os dois carros entram em conflito antes dos disparos.

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O registro, feito por volta das 6h58 de 30 de setembro, mostra o Jeep Renegade conduzido por Marcos e o Chevrolet Prisma dirigido por Bruno seguindo pela avenida Dom Pedro 1º. Os dois veículos se aproximam da entrada do túnel conhecido como “túnel do Mercatau”, que liga a rua Professora Maria Escolástica de Jesus à Avenida do Povo.

Naquele trecho, a pista fica mais estreita e os dois veículos aparentemente convergem para uma única faixa. O Jeep, que seguia pela direita, avança e passa à frente do Prisma, que estava à esquerda, contradizendo a versão do bombeiro de que ele teria sido “fechado” pelo estudante.

Bruno buzina após a manobra. Na sequência, o trânsito chega a parar por alguns segundos. O Jeep então continua pela via, seguido pelo carro do estudante.

A análise das imagens, cruzada com os demais elementos reunidos no inquérito, levou a Polícia Civil a afastar a hipótese de uma perseguição anterior entre os dois motoristas. A investigação indica que o desentendimento começou naquele momento.

Poucos metros depois, os veículos pararam em um semáforo na Avenida do Povo. Foi então que a discussão evoluiu para a abordagem que terminou com os disparos contra Bruno.

Versão sobre vidro

Outro ponto da investigação é a forma como o vidro da porta do motorista do Prisma foi quebrado.

Durante o procedimento policial, Marcos apresentou uma versão segundo a qual o vidro teria sido quebrado pelo próprio estudante, de dentro para fora. O relato, porém, é contradito pelo depoimento de uma testemunha que estava em outro veículo.

Segundo essa testemunha, o bombeiro saiu do Jeep, caminhou até o Prisma e desferiu três cotoveladas contra o vidro da porta do motorista até quebrá-lo. Na sequência, ainda de acordo com o depoimento, os disparos foram efetuados a curta distância.

A Polícia Civil aponta que Marcos efetuou pelo menos cinco disparos. Quatro atingiram Bruno, sendo dois no tórax, um no pescoço e outro de raspão no braço. A investigação também afirma que não foi encontrada arma de fogo no carro do estudante.

Bruno tentou pedir ajuda

Mesmo ferido, Bruno conseguiu sair do veículo pelo lado do passageiro e tentou buscar ajuda. Ele percorreu cerca de 100 metros antes de cair.

O estudante não resistiu aos ferimentos e morreu após ser atingido pelos disparos.

Bruno cursava o 4º período de Medicina na Universidade de Taubaté (Unitau). Ele morava em Jacareí com a mãe, a esposa e o filho de dois anos.

A morte provocou comoção entre familiares, amigos e colegas da universidade, além de manifestações em Taubaté e repercussão em outras cidades do Vale do Paraíba.

Polícia aponta homicídio

O inquérito policial, com 101 páginas, aponta que não foram encontrados elementos capazes de sustentar a versão de legítima defesa apresentada pelo bombeiro.

A Polícia Civil indiciou Marcos por homicídio qualificado, considerando circunstâncias apontadas na investigação, entre elas motivo fútil e recurso que teria dificultado a defesa da vítima.

O bombeiro foi preso em flagrante logo após o crime, mas recebeu liberdade provisória durante a audiência de custódia, com medidas cautelares.

O Ministério Público recorreu da decisão e pediu a prisão preventiva. O recurso foi apresentado pelo promotor de Justiça Brenno Arruda Sobreira de Siqueira Figueiredo.

A Justiça de São Paulo acolheu o pedido e decretou a prisão preventiva de Marcos.

O mandado de prisão foi expedido, mas o cumprimento ficou condicionado às restrições previstas no Código Eleitoral. Como o primeiro turno das eleições ocorreu no domingo (4), a prisão de eleitores ficou limitada até esta terça-feira (6), salvo as exceções previstas em lei.

Segundo a defesa, Marcos pretende se entregar voluntariamente à Justiça a partir das 17h desta terça-feira.

Defesa sustenta legítima defesa

O advogado Cláudio Rodrigues Moreira afirma que o bombeiro acreditou estar diante de uma tentativa de assalto e que teria agido em legítima defesa.

A defesa também sustenta que Bruno teria tentado atacá-lo com uma faca.

Sobre a prisão preventiva, o advogado informou que respeita a decisão judicial e que adotará, pelas vias processuais adequadas, todas as medidas e recursos cabíveis.

O caso agora deve avançar na Justiça com base nas imagens de segurança, depoimentos de testemunhas e demais provas reunidas durante a investigação.

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